terça-feira, 29 de março de 2011

São coisas que marcam. Que você vai lembrar daqui a alguns anos. Não é como se passasse assim do dia pra noite. Leva tempo. Feridas, cicatrizes e traumas. Cicatrizes fecham e ficam quase imperceptíveis. Mas traumas... São traumas porque não ficam só no corpo. Ficam no corpo, no espelho, na alma. Eles simplesmente ficam. Não importa o quando você seja uma pessoa espiritualizada, tenha uma áurea elevada e viva de paz, amor, harmonia e perdão. Traumas são traumas. É como uma queimadura de terceiro grau e mesmo depois de 5 cirurgias plásticas aquela marca ainda não sumiu. Não é pessimismo. As coisas melhoram. Leva muito tempo, mas melhoram. Porque existe superação mesmo para os traumas. Superação é quando você aprende a conviver. Você aprende a acordar e dormir com aquilo. Esse negócio de passar uma borracha e seguir em frente não existe. Não existe pra ninguém. A não ser, claro, que você passe por um trauma pior ainda que te faça perder a memória. O ser humano vive sim de passado, é museu, olha as fotos, as cartas velhas, vive de lembranças, das felizes e das tristes, porque tudo isso junto é o que você é. E tudo o que você passou também faz parte do todo. Você é o que é porque passou por isso. O fato de você não falar de um determinado assunto não faz com que ele não tenha existido e muito menos que você não pense nele. Na verdade, é aí que ele se faz mais presente. Ele te assombra e você tem até pesadelos com ele. O homem é racional, somos animais racionais. E é essa racionalidade, essa capacidade de formar idéias, raciocinar, entender que existe presente, passado e futuro que nos difere dos outros animais, então você não vai esquecer. Você vai se adaptar. Mas tem mudanças que ocorrem mais rápido e outras não. Essas que demoram mais, que são lentas e evoluem a passos de formiga e sem vontade... Bem, essas são as mais difíceis, porque essas são as que você sente. Mas você supera. O tempo ajuda. O tempo não apaga tudo, mas o tempo cura tudo. Ele fecha as feridas, transformando-as em cicatrizes. E os traumas... Você aprende a lidar com eles. Um por um. E você é capaz. Se você não fosse capaz, você não teria nem nascido.

Sabe quando tu estás no fundo da piscina sem respirar e chega uma hora que tu achas que não aguenta mais? Que se tu não subires até a superfície e encheres os pulmões de ar tu vais morrer afogado ali, naquele exato momento? Pois é, a verdade é que quando tu entras em pânico ainda não é a hora que tu vais se afogar. Ainda não é o limite. Tu ainda aguentas mais do que aquilo, só que o teu cérebro te faz reagir rapidamente e desesperadamente te fazendo pensar que tudo acaba ali. Mas teus pulmões ainda aguentam mais. Esse minúsculo intervalo de tempo existe simplesmente para que tu não te afogues. Para que tu consigas chegar à superfície e encher os pulmões de ar. 

3 comentários:

Claudiana disse...

Você tem razão, mas concordo com Martha Medeiros que diz que o tempo não cura tudo, que aliás, o tempo não cura nada. Ele tira apenas os fatos do nosso foco de atenção, mas os deixa lá em nossos quintais e de vez em quando nossa memória se encarrega de nos fazer lembrar e aquilo nos deixa mal. Beijos ;)

Raíssa disse...

Já pensei assim um dia, mas a gente se adapta. Quando digo que o tempo cura, falo ao pé da letra, a ferida sara, a cicatriz fica e pronto. Você não esquece e quando lembra aquilo ainda tá ali, mas perdoar não é esquecer, é só tirar as mãos do pescoço da outra pessoa. Com o tempo, lembrar não dói e não nos deixa mal. A dor vai diminuindo... A memória sempre vai trazer essas lembranças, porque curar não é esquecer.
;)
beijos

L.S. Alves disse...

De qualquer forma quenado as coisas estiverem dificeis tente parar e respirar um pouco. Isso ajuda.
Um abraço moça.