sábado, 8 de março de 2008

Nada vai te deixar mais feliz do que amar e ser correspondido. (ênfase no "ser correspondido")

Quando eu tinha uns 13, 14 anos, eu me decepcionei com o "tal do amor", sabe? Aí eu disse pra ele (na verdade eu jurei, o que foi pior ainda) que eu nunca mais ficaria cara a cara com ele. Não podia falar que nunca mais sentiria algo próximo disso, porque seria hipocrisia, é impossível! Simplesmente não controlamos certas coisas, então eu jurei que não o veria de novo, poderia até chegar perto, mas cara a cara? Jamais! Eu fiz isso porque mesmo quando somos correspondidos temos momentos de tristeza, fiz porque apesar de ter pouco tempo de vida doeu mais do que se eu tivesse 40 anos, fiz isso porque as pessoas nem sempre vão satisfazer nossas expectativas, na verdade, nunca vão fazer isso completamente. Somos humanos e imperfeitos, magoamos pessoas que amamos todos os dias e o mundo não pára por isso. Não pára para que a pessoa se recupere e nem para que você se recupere, sim, você tem que se recuperar também porque não é nada fácil magoar alguém que você ama, você se sente na maioria das vezes pior do que a pessoa magoada. Fiz isso, porque mesmo com momentos de felicidade, os momentos de tristeza nunca iam embora, eles sempre existiam, sabe? E isso doía tanto que racionalmente eu era incapaz de lidar com a situação. Emocionalmente isso era perfeitamente possível porque o coração sempre vai dizer sim ao "tal do amor", ele faz isso inconscientemente, mesmo sabendo que ele vai chorar e doer por causa disso. Mas essa luta entre o emocional e o racional era vencida com a ausência. Quando não se está perto da pessoa é muito mais fácil ser racional e ver o que é melhor. A verdade, é que o "tal amor" tem limites. Limites esses que *sempre* são ultrapassados. Este limites seriam a base de tudo, seriam a confiança, o respeito, lealdade e tantas outras coisas. Sempre tem um desses que passa dos limites. Você perdoa uma vez, perdoa duas vezes, até três, se duvidar, mas quatro ou cinco vezes.. Aí já virou bagunça. Quando eu digo que virou bagunça, me refiro à raiva que eu senti, à vontade de chorar, de quebrar todos os copos de vidro, de gritar e de bater, mas como sou uma pessoa controlada, não fiz nada disso, eu apenas.. Implodi, como sempre. Talvez se eu tivesse feito uma dessas coisas e "explodido" tivesse sido mais fácil, mas... Eu não sou assim. E eu me recuso a ser assim. Eu já perdi meu orgulho naquela "segunda vez" ali em cima e... Foi pra nunca mais perder. Tem coisas na nossa vida que só acontecem uma vez e que acontecem pra gente aprender a nunca mais fazer de novo. Sentir essas coisas uma vez já é ridículo, mas sentir mais de uma é... Grotesco! (Nossa! De onde eu tirei isso?!) É mais do que ridículo. Foi aí que eu aprendi que o “tal amor” deve ser sentido, sim, mas principalmente entre eu e eu mesma. Eu tenho que me amar antes de outra pessoa me amar e me valorizar sempre, simplesmente porque esse é o tipo de coisa que eu não posso esperar que os outros façam por mim. A verdade é que uma pessoa tem que se bastar sempre e não depender de outra emocionalmente ou racionalmente. Não estou querendo dizer “não ame”, jamais falaria isso, mas gostaria de falar algo do tipo “respeite os limites”, pois eles realmente existem. Se eu pudesse lhes dar conselhos, esse estaria na minha lista. Mas voltando a mim e o tal do amor... Eu jurei isso porque.. Olha, eu ia falar que eu jurei isso porque eu fui fraca e porque tinha sido mais fácil fugir do que encarar de frente e passar pelas dificuldades. Mas a verdade é que não é bem assim, essa foi a maneira que eu encontrei de me proteger, como um mecanismo de defesa, entende? Eu acho mais fácil me ver sem alguém do que me ver passando por tudo aquilo de novo. Sim, eu não agüentei me ver numa situação que eu achava ridícula para qualquer pessoa (quanto mais para mim mesma!) e simplesmente saí dali e briguei com o amor. Brigando com ele eu aprendi coisas que eu jamais aprenderia e enxerguei coisas que eu jamais enxergaria... Sabe, no fim das contas é tudo uma questão de como você vê as coisas encara os fatos e reage a certas situações. Nesse meio tempo eu tive a infelicidade de aprender a me “desligar” das pessoas com facilidade, sabe? É útil, mas é beem infeliz.
Amor e ódio são sentimentos próximos demais, isso me assusta muito.


Raíssa, em um momento lunáático!
p.s.: Eu já quase quebrei esse juramento tantas vezes que eu nem sei como ele ainda existe.

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