segunda-feira, 14 de abril de 2008

Saudade

Amanhã é minha ultima prova, finalmente. Isso é realmente um alívio, eu já tava ficando doida, mas estou feliz, pois acho que sobrevivi.

Eu ando em sentindo estranha esses dias, acho que to fazendo as coisas irem por um caminho incerto. Não gosto disso, isso me deixa confusa, não só a mim, mas deixa outras pessoas também. Repito, não gosto disso. Gosto das coisas claras como sempre deveriam ser. É muito mais fácil quando você entende uma situação e sabe o que fazer do que quando você se sente completamente perdida, mas é assim mesmo. Quando você acha que sabe as respostas vem Deus e muda tudo quanto é pergunta. Mas ainda acho que é tudo uma questão de tempo, depois as coisas se ajeitam, afinal, elas sempre se ajeitam. Elas sempre se ajeitam, porque por mais que não sejam como a gente quer que sejam, a gente sempre aprende a conviver com tudo. A gente se conforma, a gente se acostuma. Somos adaptáveis a todo e qualquer tipo de situação. É só que tem gente que demora mais pra entender isso, o que é triste, porque essas pessoas são as que sofrem mais. Já faz um certo tempo que eu parei de chorar por esse tipo de coisa. Acho que uma das poucas coisas que ainda me fazem chorar é saudade. Odeio ter saudade. Eu sei que é um sinal de que algo pelo menos existiu, mas é... é... É horrível! Acho que não tem nada pior do que perder o contato com alguém que você ama. Não tô falando de quando você termina um relacionamento e o cara fica no passado, até porque é isso que acontece mesmo, ele tem mais é que ficar no passado. Eu tô falando de amizade, tô falando de momentos bons. Tô no primeiro ano da universidade de Direito e, bem ou mal, a gente perde o contato com os amigos do colégio. A gente faz de tudo pra se ver, mas é complicado, porque nunca mais vai ser como antes. Não tem mais aquele contato diário, sempre perde alguma coisa. É estranho. Você se acostuma a ver uma pessoa todos os dias, a contar tudo pra alguém, até as coisas mais banais. Você passa a manhã toda olhando pra cara das mesmas pessoas e quando chega em casa pega o telefone e liga pra essas mesmas pessoas, fala na Internet com essas mesmas pessoas e é meio que inevitável não falar praticamente tudo sobre você pra essas pessoas, ainda mais no convênio! Ano de vestibular = todo mundo em depressão. Todo mundo com os mesmos problemas. Lembro que tinha vezes que a gente parava pra conversar e era um contando pro outro a pérola que o pai ou a mãe tinham soltado no dia anterior sobre o fato de você não estudar (ou simplesmente não conseguir se matar como eles queriam), era pressão por tudo quando era lado, acho que tu crias um receio até da tua própria sombra porque ela nao desgruda de ti, mas tudo bem. Aí de repente tudo isso acaba. Uns vão fazer cursinho, os que passaram seguem seu rumo, um pra cada lado e é mais ou menos assim. Começa a vida de gente de grande. A gente faz tudo pra se ver, mas os horários são diferentes, o período de provas é diferente, alguns começam a trabalhar, outros vão embora da cidade e assim as coisas vão se perdendo e ficando no passado. No maldito passado, cada vez mais longe. A gente até que se esforça, a gente promete se ver toda a semana, se isso não for possível, promete se ver todo mês, mas são promessas que se perdem com o tempo. Quando você vê o tempo passou e as pessoas também. Já se passaram 5 meses. Tem cinco meses que eu não escuto a risada da Suzanne, ouço uma piada da Nicolle, não recebo elogios diários do Mayko, não consigo entender a Tainah só de olhar pra ela, não aperto mais a Izabella e fico chamando ela de bebê, me desdobrando em mil pra ver se ela consegue pelo menos sorrir por trás de tanto mau humor e (merda!) não recebo o melhor abraço do mundo, Enorê. E tantas outras coisas e pessoas que faziam diferença no meu dia e que não estão mais nele. Essa é uma das poucas coisas que me fazem chorar. Acho que só Deus consegue entender como eu me sinto. Como eu sinto falta. Como eu sinto tanta falta que, às vezes, eu tô na sala de aula, no meio de muita gente, muita gente boa, por sinal, e ainda assim consigo me sentir só. Consigo sentir falta das pequenas coisas. A gente brigava muito, com certeza. Tínhamos nossas diferença (e que diferenças!), mas no final, a gente aprendeu a conviver, a se amar, a viver. Acho que os maiores amigos que a gente pode conquistar na vida são feitos ali, na escola. Isso não é uma regra, porque existem outras pessoas que eu não tenho nem palavras pra descrever o que eu sinto, mas depois de passar uns 7 anos ali, no mínimo tu vais ter encontrado as melhores pessoas da tua vida e, provavelmente, aqueles que se tu encontrares daqui há trinta anos, tu vais lembrar das coisas e ver que, certamente vocês tem muita historia pra contar. Isso dá saudade. Não ter tempo pra ver as melhores pessoas, dá saudade. Saber que aconteceu algo importante na vida deles por terceiros, dá raiva. Dá muita raiva. Dá muita raiva ver que eu mudei de posição. Como assim “mudei de posição”? Bem, deixei de fazer parte do elenco e virei telespectadora. Mas acho importante, muito importante, lembrar que isso não significa que o meu amor diminuiu, que a minha vontade de vê-los com mais freqüência e fazer parte de isso tudo não é mais a mesma ou que eu parei de rir ou de chorar com vocês nos momentos de felicidade, sucesso, a ocasionalmente, tristeza. Significa, apenas, que eu não posso fazer tudo sozinha, que não depende só de mim e que eu amo vocês incondicionalmente. E que, sim, eu choro de saudade.

As pessoas não deveriam se separar. Tem casos que isso é inevitável, mas tem outros que são ridículos. Às vezes, sem querer, você perde contato com alguém, alguém muito importante, e um tempo depois você vê essa pessoa na rua, essa pessoa também te vê e vocês simplesmente não se falam, fingem que não se conhecem e vão cada um para o seu lado. Por quê? Olha, eu sei que a vida é assim, que as pessoas são assim e que isso acontece com o tempo, mas essa é uma das coisas que eu mudaria na nossa sociedade. Um dos meus sonhos seria reunir todas as pessoas que foram importantes na minha vida, nos diversos momentos dela, desde aquelas que brincavam comigo quando eu era criança até as que vivem comigo hoje. Seria reuni-las em um mesmo ambiente. Aí eu me sentaria e olharia para todas elas e chorava. Chorava. Chorava e chorava. Mas não de saudade, de felicidade por conseguir algo que eu considero impossível.

2 comentários:

Bernard Freire disse...

Demorei, mas tou aqui!!

Saudades, não sei falar muito bem disso, só sei senti.
Pelomenos é o que acontece com todos!
Não tenho ideias sobre isso!

Anônimo disse...

Sim, me fizeste chorar e muito.


Eu te amo e é pra sempre.Mesmo que acabe um dia, ainda sim n vai ter acabado.

P.S. Daria tudo pra voltar um dia no passado e ao em vez de mal humor, ser a pessoa mais bem humorada do mundo em um dia entediante de aula no convênio...

=**