Hoje eu tenho 17 anos, sou solteira, moro com meus pais, minhas duas irmãs e minha filha Julie. Curso e segundo semestre de Direito em uma universidade que fica longe de casa, mas que eu vou pra lá de segunda a sexta e quase nunca falto e também tenho um estágio. Por enquanto é isso.
Planos:
Vou arranjar um emprego daqui pro final do curso onde eu ganhei quase dois mil reais. A Nicolle vai passar no vestibular esse ano e começar a fazer Direito, quando eu arranjar meu emprego, ela vai arranjar o dela também. Não só ela, mas ela e a Priscilla, porque as duas vão estar no mesmo semestre do curso também, aí a gente dá logo um jeito. Aí nós três vamos trabalhar e estudar. Nós três juntas, teremos uma renda mensal boa, que vai dar para nos sustentar adequadamente. Aí a gente vai sair de casa e vamos morar juntas. Não pra sempre, mas por um tempo. A Julie vai comigo, só pra constar. Quando eu tiver morando com elas eu vou arranjar um namorado. Eu vou passar uns três meses namorando, e então eu vou enjoar da cara dele, para variar, e vou pegar um abuso porque ele é muito chato, muito grudento e gosta de aparecer pra todo mundo que pode e eu odeio isso e penso totalmente o oposto, aí eu vou terminar com ele. Vou me sentir mal por causa dele, vou voltar pra casa, encontrar com a Nicolle, com a Priscilla e com a Julie. Aí eu vou ficar triste, não porque terminei um namoro, mas porque eu vou ter deixado alguém triste e eu quase não suporto fazer isso, apesar de que às vezes é necessário. Aí quando eu chegar em casa e encontrar com elas, elas vão me abraçar e a gente vai sentar no nosso sofá super confortável e assistir algum filme muito legal, comendo muita pipoca, brigadeiro, sorvete e tomando muita coca-cola. Depois dessa minha experiência frustrante com meu ex-namorado, eu vou enfiar na minha cabeça que eu só vou namorar de novo se for pra casar. Aí eu vou passar um tempo curtindo a vida. Vou sair mais com minhas amigas solteiras, a Nicolle vai ser uma delas mesmo. A Bella e o Fabinho vão se casar quando eles se formarem, e vão visitar a gente sempre, até porque antes do casamento em si, a Bella vai dormir muito na nossa casa. Ah, eu vou ter uma cama de casal, bem grande. Mesmo que ela ocupe o quarto todo, porque eu não sei qual vai ser o tamanho do quarto, mas enfim, vai ser uma cama de casal. É só pra eu dormir agarradinha com a minha filha Izabella e com a Julie. Quando a Bella vem dormir aqui em casa e ninguém tem disposição de ir buscar o colchão, a gente junta as camas e eu, ela e Taíssa, dormimos agarradinhas, se eu tivesse uma cama de casal seria mais fácil. Por favor, não pensem coisas ruins a respeito da minha cama de casal, é só por conforto mesmo. A Tainah vai viver em casa, ela é eterna. Eu preciso tanto dela que quando eu ficar velha eu sei que ela ainda vai tá comigo. O Mayko vai viver em casa também. Mas ele vai morar com a mãe dele até onde der, porque ele é louco por ela. O Enorê vai ser turista, como sempre. De vez em quando ele surge, e por mais que ele demore a voltar ele será eternamente bem-vindo na nossa casa. A Larissa vai tá fazendo especialização pro Sudeste do país e a Taíssa vai estar casada, morando no interior de São Paulo, onde o meu cunhado vai ter arranjado um emprego muito bom e ela vai ter passado num concurso por lá e eles vão viver bem e felizes. O papai e a mamãe... Bom, eles vão esperar uns dois anos, que é o tempo que eu vou ver como eu vou fazer gastronomia. Assim que eu tiver um bom plano eu vou pra Campos do Jordão estudar gastronomia, aí o papai e a mamãe vão ter três opções: Ir atrás da Larissa, da Taíssa, ou de mim . Se eles não pegarem nenhuma das três, surge a quarta opção que é ir para o Rio de Janeiro, morar perto do Tio Eli, jogar baralho todos os dias. E a mamãe vai arranjar alguma faculdade para ela dar aulas e se envolver como se fosse a própria vida. Pra isso, ela vai se aposentar da Federal, claro. Aí eu vou ter me formado em Direito pela unama, e se Deus tiver de bom humor, ele vai fazer um negócio interessante comigo no dia da minha formatura e eu vou pergunta pra ele por que que ele não fez antes? Aí, daqui a quatro anos, quando eu fizer essa pergunta, eu vou entender o porquê. Aí eu vou rir, mas eu não vou sofrer porque não vai ser o suficiente pra isso. Talvez eu até chore por ter esperado tanto, mas eu vou entender que se eu não tivesse esperado eu não faria gastronomia. Porque pra eu fazer gastronomia eu tenho que ir embora e pra eu ir embora eu não posso ter um motivo suficientemente forte que me prenda. Aí eu vou embora. Eu consigo me formar, entrego meu diplona na mão da mamãe e digo “toma que esse é teu, agora eu vou atrás do meu” e aí eu vou pra Campos do Jordão, estudo gastronomia e me formo. Aí eu arranjo algum emprego onde eu ganhe uns 15 mil por mês, trabalho lá por uns dos anos e guardo o máximo de dinheiro que eu puder. Depois de dois anos eu volto pra Belém e encontro o Rafael. Aí eu e Rafael vamos abrir uma franquia do Outback em Back em Belém, porque se duvidar até lá não vai ter Outback em Belém. Se já tiver Outback, a gente arranja logo um outro restaurante muito bom e traz pra cá. Nada como dois sócios muito bem sucedidos para descobrir onde investir. Bom, eu vou abrir minha franquia em Belém, e o Rafael administra ela enquanto eu vou pra França fazer especialização no Instituto Alan Ducaisse, ou em algum lugar melhor. Aí eu volto e abro meu restaurante, em sociedade com a Nicolle. O Mayko vai ser um ótimo dentista, mas que tem gastronomia como hobby. Ele vai ser meu sócio no restaurante também. Eu, ele e Nicolle. Aí Deus vai me dar um marido, diretamente do céu, só pode. Porque eu não sei onde eu vou achar alguém que não seja simples e comum demais a ponto de me desinteressar e que também não seja mais complicado do que eu, primeiro porque isso é impossível, eu sou a pessoa mais complicada do mundo e segundo porque se eu não fosse a mais complicada do mundo e realmente existisse alguém pior, essa pessoa não se interessaria por mim. A gente ia se matar. Bom, aí eu casava com meu “anjo” e ia viajar pelo mundo, depois eu ia ter uns 2, 3 filhos, dependendo da situação. Aí eu ia viver. Eu não vou me divorciar. Eu vou envelhecer com meu marido-anjo atéé onde a vida me permitir e pronto.
Quando o melhor não é possível, a gente se vira com o que a gente tem e com o que nos convém.
p.s.: quem é que pensa numa coisa dessas?
Um comentário:
"Aí eu vou ter me formado em Direito pela unama, e se Deus tiver de bom humor, ele vai fazer um negócio interessante comigo no dia da minha formatura e eu vou pergunta pra ele porque que ele não fez antes?" =D
Sim,sim, eu também amo o teu blog. Beijo
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