quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Quando eu era criança

Bom mesmo era quando eu era criança. O dia demorava a acabar. Eu não me apaixonava. Eu acreditava em tudo o que os meus pais diziam. Eles sempre estavam certos. Eu não tinha responsabilidades. Passava o dia brincando de pira ou de Barbie. Eu não tinha raiva de ninguém. Eu só chorava quando eu caía ou quando mamãe me brigava por alguma besteirinha. A minha vida se limitava ao muro do prédio e sabe... Isso era bom. Todo mundo era amigo e éramos todos felizes. O nosso final sempre era feliz. A minha Barbie sempre namorava o Bob (quando não casava, claro) e os meus aniversários não eram anos bons que passavam estupidamente rápido, e sim, uma desculpa para ganhar mais presentes. Eu não tinha insônia. Eu não contava as horas, a não ser quando eu queria que desse meia noite para abrir os presentes do natal. Eu acreditava no papai Noel e no coelhinho da páscoa (tá, nesse coelho eu nunca acreditei). Eu não sabia o que era cansaço mental e nunca entendia porque minha mãe vivia cansada se ela passava o dia no trabalho (e no ar-condicionado!)... Como alguém pode se cansar assim?! Ela nem ficava correndo! Eu não sabia o que era violência, nem tinha noção do que era uma guerra. Amor era um negócio que passava na tv e que os adultos falam que só, mas eu não entendia como eles podiam achar isso complicado, afinal, era a mesma coisa que eu sentia pelos meus pais, não? Era tão simples de se resolver. Não era a vida como ela é, e sim, a vida como ela era. Eu não fazia parte desse mundo, eu fazia parte do mundo das crianças. O meu mundo era encantado e ele era bom daquele jeito. E sabe qual é o paradoxo? O meu sonho era ser “gente grande”.




Eu já tinha postado isso antes, mas eu reli e deu vontade de postar de novo. As crianças são tão lindas e era tudo tão perfeito. Enfim, vamos voltar à realidade, onde não se é mais criança e as coisas são um pouquinho (quase nada) mais complicadas.
Até.

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