Ultimamente eu andava meio sem inspiração pra escrever... É fácil notar quando isso acontece, eu começo a postar outros autores aqui, quando eu coloco o nome deles, é porque não fui eu que escrevi. No geral, eu posto coisas que eu gosto de ler, na maioria das vezes crônicas, artigos pessoais ou textos tirados de blogs pessoais, que são verdadeiras biografias espontâneas, eu diria. Eu dou preferência para esse tipo de leitura simplesmente porque é o que mais se aproxima da realidade e eu gosto de coisas reais. Eu tava meio incomodada com essa minha “falta de inspiração”, mas eu não tava exatamente reclamando porque as coisas, de uma maneira geral estavam indo bem. Uma das poucas vezes na minha vida que eu não estava reclamando de nada, sabe? Nem do tédio das minhas férias eu tava reclamando, o que é estranho. Como eu provavelmente já disse antes, o problema de quando as coisas estão indo num caminho certo é que a gente sente que isso é estranho e que logo tudo vai começar a dar errado. Eu diria que este é o ciclo natural, não é? Dá tudo certo, depois dá errado e certo de novo, e assim por diante. Eu não tava reclamando porque na maioria das vezes eu me “inspiro” pra escrever quando eu tô muito triste ou muito feliz. Mas no geral, é quando eu tenho algum tipo de problema e estou sensível o suficiente (até demais) pra escrever sobre o assunto. Whatever... Bom, acho que agora eu já posso voltar a reclamar, eu tenho que encontrar um estágio. Estou me sentindo uma desempregada, mesmo não sendo exatamente isso. O ruim não é ter que procurar estágio, eu diria que o ruim é deixar pessoas pra trás. Eu acredito que eu sou nova e que ainda existem inúmeras oportunidades na minha vida e que quando uma porta se fecha, outra se abre. Mas... Os quatro meses que eu passei na proad (pró-reitoria de adm), não parece ser muito tempo e na verdade nem é tanto tempo assim, mas acho que foi tempo suficiente pra eu me acostumar com as pessoas. Eu amo acordar tarde, de verdade, mas quando eu não vou pra lá eu sinto falta de alguma coisa. Eu sinto falta das pessoas, sabe? É uma sala não tão grande assim onde pela manhã ficam umas quatro mulheres (contando comigo) e dois homens, ao todo somos nove pessoas, são quatro estagiários, dois de manhã e dois pela tarde, mas tem dias que vai todo mundo de manhã mesmo e fica todo mundo ali falando sem parar. Tem uma funcionária que tá de licença maternidade, aí chegou uma outra que veio pra ficar no lugar dela, mas que eu creio que vai acabar ficando por lá também (e devo dizer que ela é uma das poucas mulheres de verdade que eu já tive oportunidade de conhecer na vida). A gente trabalha, claro, mas tem dias que não chega nada e ficamos conversando, ouvindo música e querendo ou não a gente acaba formando laços por ali. Eu diria que é uma grande família. Quando tem aniversário a gente comemora, faz confraternização e festinhas sempre que possível. A gente se vira muito bem ali, um ajuda o outro, quando eu não consigo terminar alguma coisa eu sei que eu só preciso deixar um recado que alguém vai terminar pra mim e eles idem, sempre que eu vejo um bilhete ali por cima é porque tem alguma coisa pra fazer e eu não vejo isso como um favor, acredito que seja um modo de trabalhar. E quanto menos tempo os processos passarem com a gente melhor, significa menos gente ligando e cobrando o dia todo (porque, nossa (!) como aquele telefone toca!), é melhor pra todo mundo ali. Sim, eu vou sentir falta disso. Agora eu entendo porque a Taíssa ficou tão “relutante” quando ela teve que mudar de estágio e sair dali, é porque são pessoas maravilhosas e difíceis de se deixar pra trás, eu diria. Existe muita gente boa no mundo e é possível que a gente encontre essas pessoas em outros lugares mas ali... É ali. E eu sou o “chaveirinho”, o bebezão, ou... Sei lá, já me deram tantos apelidos por eu ser a mais nova. Não gosto de me sentir assim, mas eu estou realmente triste. Eu passei o dia pensando nisso, tirando a tarde toda porque eu resolvi dormir o máximo que o meu corpo permitia simplesmente pra não ter que pensar. Se eu fosse rica e independente e tivesse um carro meu, eu provavelmente sairia de casa, pegaria meu carro e dirigiria pro lugar mais longe que eu conseguisse e ficaria sozinha. Eu queria ficar sozinha hoje. Não queria ter que olhar pra outras pessoas e dar respostas tortas como eu fiz o dia todo, primeiro porque eu odeio fazer isso e segundo porque essas pessoas não merecem, óbvio. Mas sim, eu realmente gostaria de ficar quieta, pensando um pouco nas incertezas da vida e em como as coisas são inconstantes. Pensando que em um momento você tem uma coisa e no momento seguinte você não tem e que isso funciona em relação à absolutamente tudo na vida, inclusive com a própria vida. Pensando em como a vida vai passando e as coisas vão ficando pra trás e em como chega um momento em que você é obrigado a crescer e as contas começam a chegar na sua caixinha de correspondência e que você tem que pagar essas contas e ter suas próprias responsabilidades e pensando também em como eu desprezo o capitalismo e em como eu me incomodo com milhares de pessoas passando fome e ainda passo boa parte do meu tempo pensando nas dores do mundo, mas que mesmo pensando nisso eu tenho a ambição e a pretensão de ser rica e ter luxo (entenda isso como coisas que eu não preciso para viver, mas quero) e que eu quero isso o mais rápido que eu conseguir. E em milhares de outras coisas que eu fico pensando e pensando e pensando... Pensando tanto que às vezes parece que vai dar um piff na minha cabeça de tanto pensar. Eu diria que hoje eu não estou “aqui” para as pessoas, eu diria que eu estou em mim, perdida nos meus próprios pensamentos e que nesses dias eu acabo sendo grosseira e dando respostas tortas justamente porque eu não quero que as pessoas falem comigo e que no fundo eu sei que se eu me comportar assim as pessoas tendem a se manter afastadas. Tem dias que eu penso tanto, mas tanto que parece que a minha cabeça vai explodir. Eu passo o dia com o olhar vago e longe pensando em todas as coisas, mas o estranho é que eu estou à “flor da pele” também, então eu espero que ninguém se aproxime ou fale muito alto porque toda essa minha “grosseria” disfarçada se afastaria e eu seria desmascarada publicamente (oh!) e começaria a chorar. Acho que já tá bom de escrever, já estou me sentindo melhor e um pouco mais leve.
Eu espero que eu consiga dar meu melhor sorriso, pras melhores pessoas, pelo máximo de tempo que eu puder. E espero também que eu consiga me controlar.
“A ilusão das riquezas
Quem ama o dinheiro nunca ficará satisfeito; quem tem ambição de ficar rico nunca terá tudo o que quer. Isso também é ilusão. Quanto mais rica é a pessoa, mais bocas ela tem para alimentar. E o que ela ganha com isso é apenas saber que é rica.” (Eclesiastes 5 - 9, 10)
- Ele une todas as coisas, como eu poderia explicar?
Espero que vocês tenham tido um dia bem melhor que o meu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário