Não se pode amar alguém o tempo todo.
Primeiro eu devo falar das férias. Elas foram boas, sabe? Mas só boas. Digamos que eu tive bastante tempo para pensar, para brigar, para ficar só, para relevar. Olha, basicamente, eu observei e refleti. Observei as coisas boas e as coisas ruins que o Rio tem para oferecer, mas eu observei principalmente as pessoas. E quanto mais eu observava e refletia, mais triste eu ficava. Não vou mentir que com as pessoas certas, poderia ter sido a viagem certa, mas eu já cheguei lá com tudo as avessas. Já estava tudo ao contrário. Eu, sinceramente, não queria ter ido. E, mais uma vez, eu só fui para evitar atritos. Tá, se eu pudesse voltar no tempo, eu não tinha ido. Fiquei sabendo de histórias que talvez eu preferisse não saber, mas essas histórias me fizeram pensar no quanto as aparências enganam e em até que ponto as pessoas podem ir para esconder os podres das outras e delas mesmas. Eu vi alguém mudar de opinião quando lhe convinha, eu não gosto disso. Não gosto de pessoas que apontam o dedo na cara de outras para falar e depois fazem a mesma coisa, considero isso hipocrisia. Ou talvez, uma inveja momentânea. Sim, tem gente que tem inveja das outras pessoas por ver que as pessoas estão bem e a vontade com situações que o invejoso gostaria de estar bem, mas não está, aí as pessoas agem assim, com inveja, hipocrisia. É, acho que eu vi os podres. Acho que nessas férias eu vi tudo o que estava embaixo do tapete. Mas por falar em tapete, puxaram o meu. Mas aí começa outra história.
Sabe, eu costumava pensar que o maior problema que uma pessoa poderia ter era saúde, mas isso é papo de rico, porque em um mundo capitalista, falta de dinheiro também é um grande problema. Mas saúde é saúde. Esse comentário sobre o dinheiro foi mais um adendo para lembrar de que ele é importante, mas eu vou mesmo é falar de saúde. Nesse exato momento existem pessoas importantes para mim com sérios problemas de saúde. Ênfase no plural. A diferença entre o problema de saúde e o de dinheiro é que se você precisar de dinheiro desesperadamente, você pode fazer um empréstimo, se endividar, enfim, tem como dar um jeito, mas se você tiver um problema de saúde, não importa se você é rico ou pobre (a não ser o fato de pular a fila do SUS), você vai tá doente do mesmo jeito e dependendo do caso, não é o dinheiro que vai te fazer melhorar. Esse é o puxão de tapete numero 1.
Hoje foi o meu retorno às aulas, diga-se de passagem que não foi nada demais. Foi até um saco, eu diria. Mas não era sobre isso que eu ia falar, eu ia dizer que eu vi três acidentes de carro no caminho de lá pra casa. Tá certo que eu atravesso a cidade inteira para chegar em casa, mas enfim, três é muito. E quando eu cheguei em casa,minha irmã ligou, ela tinha batido o carro. Na verdade, não foi nada demais, mas ela ficou nervosa e chegou em casa chorando. O problema aqui, não é bater o carro, o problema são as conseqüências psicológicas de bater o carro. Existem pessoas que não entendem que quando acidentes acontecem só o acidente em si já basta, não é necessário colocar a pessoa mais para baixo e fazer ela se sentir pior. Isso é outra coisa que eu não gosto. De indivíduos que puxam os outros para baixo. Hoje a casa caiu por causa um carro. Esse foi o puxão de tapete numero dois.
Você já sentiu desprezo por alguém que você acha que não deveria sentir? Difícil essa, né? Porque para algumas pessoas é difícil apontar alguém indigno de desprezo. Se você sente desprezo é porque a pessoa merece, então ta tudo certo, mas sabe nem é por aí. Ah, esqueci, você raramente se autodespreza, mas aqui eu falo de alguém além de você, ok?
Hoje eu quebrei meus cartões. Não, não estou altamente endividada, na verdade, eu poderia até dizer que eu praticamente não tenho dívidas. Mas é que eu preciso abrir mão de algumas coisas. Quando se vive em guerra, quanto menos munição você deixar para o inimigo, melhor. E, admito, ter que fazer isso foi o puxão de tapete numero três. Não falo apenas do ato, mas sim do contexto e dos motivos banais.
“Há certas horas que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado, sem nada dizer. Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar, desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir, alguém que dê risada de nossas piadas sem graça, que ache nossas tristezas as maiores do mundo, que nos teça elogios, e que, apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade inquestionável, que nos mande calar a boca ou que evite um gesto impensado. Alguém que nos possa dizer: "Acho que você está errado, mas estou do seu lado."
Sabe gente, muita coisa ainda está por vir. Muita coisa ainda vai mudar. E eu daria tudo para ser dez anos mais velha. Você pode me julgar uma idiota por isso, ou entender que com certeza eu tenho um bom motivo para pensar assim.
Tenha um dia melhor que o meu. De preferência, melhor que a minha semana toda.
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