Tá, quem me conhece de verdade deve tá rindo do título nesse exato momento. Admito, eu tenho certo pânico de crianças. Ao mesmo tempo em que elas são amorosas, fofas e felizes, elas são estressantes.
Eu sou irritável como qualquer outro ser humano, apesar de que de um modo geral, sou paciente, mas com crianças, reconheço, não tenho tanta tolerância. Calma, não sou assim tão fria e insensível. Quando eu vejo uma criança feliz eu acho lindo e me derreto toda, mas aí eu penso em seguida que se ela fosse minha ela daria trabalho e dependeria de mim. Eu não cuido direito nem de mim, imagina de outro ser, totalmente dependente? A minha irmã, por exemplo, é louca para ser mãe. É só falar em criança que ela fica lá toda derretida, as crianças montam em cima dela e puxam o cabelo dela e ela acha isso tudo lindo. Eu não. Quando falam em criança eu penso logo nas adversidades, nos prejuízos, em vômito, em noite mal dormida, em preocupação, em medo, em insegurança, em dívidas e em dívidas (como eu li uma vez, são duas vezes a palavra “dívidas”, uma para as fraldas, que são caras e são usadas para caralho*, e outra para o resto, porque como eu também li, um filho custa mais de 1 milhão até os 21 anos), enfim, penso em tudo. Eu tenho esse sério problema, olhar o outro lado. Acho que fujo de gravidez como o diabo foge da cruz. Pelo menos por enquanto, porque eu penso em ter um filho... Um dia.
Eu sei que do jeito que eu falo parece ser algo tão distante que eu terei que usar o último óvulo da ultima menstruação antes da menopausa, mas não posso negar, é mais ou menos por aí. De um modo geral, as pessoas planejam a vida, tipo, “me formo com uns 22, com 26 no máximo eu já estou com um bom emprego, com uns 30 eu caso e com uns 33 vou ter um filho”. Mesmo sabendo que a vida não é assim e que por mais que os planos quase nunca saiam como esperamos, fiz os meus também; e, de acordo com eles, eu não posso ter um filho antes dos 34, mas enfim, um dia, eu vou ter, e esse post é para falar sobre isso. Aparentemente, não é o sonho da minha vida ter um filho, e não é mesmo, não pelo fato de ver minha barriga crescer, engordar, ter mais estrias e um peito gigante porque isso é o de menos, mas acho que o que mais me assusta é não poder abrir mão, não poder voltar atrás. É definitivo, entende? Hoje em dia quase tudo se desfaz, casamento então, nem se fale, mas filho? É pra sempre. Eu sei também que junto de tudo isso vem um amor incondicional e tantas outras coisas indescritíveis, mas como eu disse, pra mim isso ainda pesa.
Penso que com meu filho eu vou ter a paciência que não tenho com outras crianças. E digo, meu filho vai ser educado. Eu tive a sorte de ser bem educada. Em alguns pontos, minha família é meio extrema, mas nunca faltou amor, paciência, uma boa dose de valores, uns tapas merecidos, enfim, essas coisas. Mas eu sei que a cabeça do filho não é feita pela cabeça dos pais e esse é um ponto bastante importante. Hoje em dia, tem vários casos em que a opinião do vizinho e do “amigo” vale mais do que a dos pais. É muito difícil você conseguir criar um filho dentro do que você espera, dentro dos seus valores morais, éticos, e em certos casos você tem que abrir mão de diversas coisas da sua vida por eles.
Eu sou do tipo que prefere um filho entrando em casa falando “mamiii, cheguei!”, do que ouvir um “porra, vi dois viados na rua, que merda”. Quando eu falo isso por aí, sempre dizem que eu falo isso porque eu não tenho um filho, mas sinceramente, é a mais pura verdade. Eu não quero que meu filho sofra nenhum tipo de preconceito, isso é lógico, óbvio e evidente, mas se eu tivesse que escolher entre isso a ter um filho preconceituoso, eu ficaria com a primeira parte. Se eu tivesse um filho preconceituoso eu passaria a minha vida inteira decepcionada comigo mesma, me sentindo uma fracassada. Preconceito é uma das coisas mais abomináveis que existem na nossa sociedade. Eu adoro todo tipo de gente: branco, negro, amarelo, vermelho, homossexual, bissexual, especial, cabelo liso, cabelo Bombril, enfim, adoro gente, adoro diferenças, odeio gente igual. Mas falar sobre isso daria um post e fica pra outro momento. Por hora, o que fica é isso, meu filho não pode ser preconceituoso.
Meu filho também vai ter um nome bonito. O nome dele não vai ser uma mistura do nome do pai com o nome da mãe, não vai terminar com sufixos escrotos, não vai ser americanizado, do tipo Uóxinton ou Braian, nem mesmo que eu esteja louca, doente e alucinada de paixão pelo pai da criança, e que pra isso eu tenha que subornar o escrivão e trancar meu marido numa jaula, porque, afinal, é a honra do meu filho que estará em jogo.
Meu filho não vai ser mimado. Ele vai ter o que eu puder dar e dependendo da minha vida financeira futura, ele vai ter até menos do que eu puder dar para ele, para que ele aprenda a ter limites. Eu não fui criada com mimos de pai, mãe ou avó, cresci com o pé no chão e agradeço a Deus todos os dias por saber que a vida não se resume num sapato da Carmem Steffens, numa calça Carmim, numa blusa da Colcci e numa bolsa da Victor Hugo. No lugar disso, meu filho vai estudar, odeio gente burra. Não falo de gente humilde, falo de gente burra, que teve oportunidade na vida, que cursa um ensino superior e escreve atenSiosamente e neSSeSCidade, porque não sabe nem escrever.
Meu filho vai ser uma pessoa interessante, não vai ser um nerd, vai ser inteligente e esperto, não precisa ter apenas nota 10, mas tem que ser de 7 para cima e ter uma boa redação.
E por último: Meu filho vai saber respeitar e vai saber se dar ao respeito. Pode ser homem ou mulher, mas vai saber ser justo e a hora de falar não, porque Deus não vai me dar um filho idiota!

4 comentários:
Quando pintar o desejo de ter um bebê, tenho certeza de que você vai ser uma excelente mãe. O seu texto mostra que você está se preparando antes de surgir a vontade de ser mãe. Acho isso muito importante. Imaginar o que deseja dar de melhor para o seu filho. Infelizmente, tem tanta mãe por aí que não deveria ser mãe. Uma tristeza... Beijinhos!
Vou digerir o texto e depois volto com uma resposta decente.
Um abraço moça.
...
ededler
É, ter filho é apavorante.
Eu sei, porque tenho um, que ainda nem completou 3 meses de idade. Concordo com tudo que falaste sobre educação e preconceito.
Ter um filho é, de fato, uma coisa definitiva. Mas, cabe lembrar, que não ter um filho, também é.
Nas duas hipóteses, é possível ser feliz e ter uma vida plena. Eu fiquei com a primeira delas e já não imagino a minha vida de outra forma.
Gostei do post. Felicidades!
Bjsss
Eu acho o jeito que colocas as coisas tão sincero e inteligente.Bastante racional.Sabes que a minha opinião sobre crianças eh parecida com a tua...espero um dia que meu filho(a) tenha boa saúde, inteligência, valores e respeite as pessoas.
te amoo pto.
=*
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