Minha manifestação depois que algum cidadão que não se identificou resolveu mandar um e-mail para a coordenação do curso de Direito em nome da "turma" falando que uma amiga minha estava fazendo uso da internet durante uma prova (o que não era verdade), e, inclusive, citou o nome da aluna, falando que ela só passava de semestre por conta da "cola eletrônica" e tirava médias altas por isso, e que tal fato era uma injustiça enorme, pois os demais alunos que se esforçavam estavam sendo... Injustiçados. ?
Pois bem:
00:47h do dia 11/04/2011. Eu estou em casa, sentada na minha cama, com dor de coluna e pensando que tenho que estudar para umas 05 provas que virão nesta semana. Entrei no MSN, perguntei pra um amigo meu a matéria da próxima prova, resolvi abrir o e-mail da nossa turma e pá. Estou chocada. Sei lá, chocada pela infantilidade, mediocridade, inveja. É inveja. Inveja, baixa estima dos colegas, ego ferido e... Meu Deus! Faltam-me adjetivos para expressar a minha indignação.
A inveja é um vírus que se caracteriza pela ausência à sintomas aparentes. O ódio espuma. A preguiça se derrama. A gula engorda. A avareza acumula. A luxúria se oferece. O orgulho brilha. Só a inveja se esconde.
A nossa turma não é exatamente uma turma exemplo. Não é unida, nem todo mundo se gosta, na verdade, acho que boa parte se atura e eu nem sei por quê. Existe uma linha imaginária (que às vezes é bem real) que divide a gente. Essas linhas nos dividem em grupos. E nesses grupos alguém teve a ideia de criar um negócio chamado rivalidade. Onde o mais importante é ser o melhor. Não, não, não é o senso de justiça que nos guia aqui. Pense comigo, eu não vou perder o meu precioso tempo enviando um email para coordenação esperando que este email tenha muitas conseqüências para alguém ou para todos se eu estou preocupada com “justiça”. Aff, justiça é simplesmente uma máscara que a pessoa coloca no rosto para esconder o que se sente. Para esconder o que se tem de ruim, para esconder a inveja, a rivalidade e toda essa podridão que nos cerca simplesmente por sermos. Por sermos humanos.
Primeiro ano de faculdade, ok. Turma unida, todo mundo amiguinho, calouro, pouca gente se conhecia e cada um vai se aproximando de... Todo mundo. Tem um churrasquinho para confraternizar e na hora do intervalo a turma inteira consegue lotar uma das lanchonetes, porque todo mundo resolve sentar junto! Que lindo! Calouros. Bons tempos. Mas de repente descobriram que existia a turma ao lado. Vira e mexe a div 11 era compara com a div 12 e vice- versa. Que saco, não é? Que saco ser comparado. É horrível, mas não estamos livres, somos comparados em casa, no trabalho e agora na faculdade! E de repente uma turma resolve que tem que ser melhor que a outra (e vice-versa...). Ok, o tempo passa, chega o segundo ano e tem agora essa história de “senador lemos”. Lá se vai metade da div11... E lá se vai metade da div 12. E o que sobra? A parte horrível e muito ruim das duas turmas que a coordenação tem a brilhante ideia de juntar. Primeiro dia de aula juntos fofos e infelizes. Do lado esquerdo de quem entra na sala: DIV 11, do lado direito: DIV 12. E aquela linha que falei no início do texto era SUPER visível bem no meio da sala. E a gente fez o que? A gente se aturou. Se tolerou até hoje. E sinceramente, eu NÃO SEI POR QUÊ. Não consigo entender. Sei lá, esse papo de “acho que fulana tem uma cara de antipática, ela se acha muito” e “e aquela outra ali? Nossa, se acha que só e não tem porra nenhuma”. Fala sério! A nossa turma é TÃO decadente que até um formspring falando mal de todo mundo alguém foi capaz de perder tempo criando. E falando da roupa de um, do suposto namoro de outro, do jeito de outro, etc, etc. Se denegrindo, se diminuindo. Acho que um cidadão que perde tempo fazendo isso não se toca que ele é vítima dele mesmo. Da própria idiotice dele. Que é ele que é uma pessoa pequena e mal amada capaz de perder tempo fazendo isso. Mas tá, continuamos seguindo em frente. Nos aturando, como sempre. E outras pessoas foram chegando à nossa turma... Pessoas de outros turnos, enfim, o fato é que no meu “grupo” (sim, eu também tenho um grupo, afinal, eu faço parte dessa turma medíocre), várias pessoas já vieram e foram e cada uma segue o seu caminho, teve gente que mudou no primeiro semestre, teve gente que saiu há um semestre... O fato é que as pessoas vêm e vão nessa sala, mas me parece que as piores pessoas sempre ficam. Irritante isso. Mas irônico, porque eu não sei o nome de metade da minha sala. E não é só eu! Eu conheço várias pessoas que não conhecem metade da sala. Que não falam mesmo e pronto.
Claro que existem pessoas introvertidas e tímidas que realmente tem dificuldade de se relacionar, mas não é o nosso caso. O nosso caso mesmo é que todo mundo é “gala seca” nessa sala a ponto de não falar com ninguém. De se achar melhor ou pior, enfim... Eu estou me sentindo na quinta série, onde as pessoas ficam levando aquelas intriguinhas para a coordenadora tomar alguma atitude, mas não vamos desmerecer nossas crianças, porque as criancinhas da quinta série não devem perder tanto tempo criando formspring, mandando email pra coordenação e fazendo careta quando o professor fala com alguém da sala (porque SIM, até careta eu já vi fazerem! Bem infantil, não é? Também acho). Eu tenho tanta vergonha da nossa turma.
Sei lá, agora inventaram esse papo de caixinha de formatura. Quem vai participar? COMO alguém pode ter a ideia de fazer isso numa turma como a nossa, sabe? Acho que só tão fazendo isso porque em termos financeiros é mais viável fazer a formatura assim do que desembolsar o dinheiro para uma festa própria, porque sinceramente, eu não faço a mínima questão de ter uma foto com a nossa turma reunida num convite ou pior, no álbum de formatura! E sei que não sou a única que pensa assim, eu sei que a maior parte pensa “nossa, minha turma é lamentável, mas vou fazer a festa pela minha família!”. Gente, que clima é esse? Qual é a graça disso? Eu queria muitoo entender! Nossa turma é deprimente, deplorável e assim vai... Seguindo essa linha de adjetivos.
Eu sou muito observadora, sabe? Eu observo muito as pessoas de um modo geral, inclusive na nossa sala e eu também tenho uma ótima memória, enfim, o fato é que hoje eu vejo pessoas que há um ano atrás falavam: “nossa, como eu odeio essa pessoa, ela se acha muito”, sendo a melhor amiga dessa tal pessoa que se acha muito. Eu poderia falar “nossa, como fulana é falsa! Fala isso e agora tá ai!”, mas não. Meu mundo não é pequeno a tal ponto. A ponto de achar que as pessoas não mudam de ideia, de opinião, que não desfazem pré-conceitos e que não passam a enxergar melhor. O que eu penso disso? Eu penso que o mundo dá voltas. Que um dia você tá em cima e no outro você está embaixo. Eu vejo o óbvio. Vejo o que qualquer pessoa que queira enxergar, vê. Esse email foi a gota d’água, a cereja do bolo, ou seja lá como você queira chamar. Eu poderia muito bem ignorar ele, assim como ignorei o formspring e pensar “nossa, como eles são idiotas”, mas não. Dessa vez eu resolvi escrever. Eu tenho essa mania de escrever quando algo me incomoda, me tornei introvertida por conta de problemas pessoais e aprendi a me comunicar assim, me parece mais fácil. Mas isso não importa, é só que eu estou realmente envergonha de fazer parte dessa turma.
Um dia você se dá conta de que mandar um email desse tipo é perda de tempo. E nesse dia você se sente um idiota. O que me incomoda não é o conteúdo do email. O conteúdo realmente não me incomoda, mas a atitude... É a atitude, entende? A atitude de chegar em casa cheio de ódio e perder alguns minutos preciosos da vida digitando um e-mail que pode vir a prejudicar alguém, ou não. Que pode vir a prejudicar muita gente, ou não também. Porque sinceramente, eu não acho que vai acontecer alguma coisa extraordinária em relação a isso, mas eu acho essa atitude desprezível. Talvez por ser algo que eu nunca faria. Nem pelo Marcello que senta ao meu lado todos os dias e nem sabe colar, nem pela Clara que senta lá na frente e eu devo ter falado umas 3 vezes na vida, ou pela Graciete que também falei pouquíssimas vezes ou até mesmo pela Sandra que chega atrasada por causa do trabalho e faz perguntas que às vezes incomodam muita gente da sala. Sei lá, eu não faria isso por ninguém. Mesmo vocês não sendo os meus melhores amigos, mesmo vocês sendo pessoas que eu provavelmente nunca irei contar na minha vida, mesmo vocês sendo só um bando de gente que eu muito raramente dou bom dia, eu não faria isso.
Primeiramente, porque ninguém aqui tá concorrendo a uma vaga de concurso. Em segundo lugar, porque ninguém concorre também a uma estrelinha de melhor aluno. Em terceiro lugar, porque eu teria vergonha de mim mesma. Pra começar, não sou nenhum exemplo. Assim como absolutamente ninguém na nossa sala medíocre é. Estamos no quarto ano! E já deu tempo de ver como cada um se sai no dia de prova. Já vi gente colando pelo celular, por papel, trocando prova, escrevendo coisas no vade mecum, trocando o vade mecum “limpo” pelo anotado, já vi gente olhando pro lado, esticando o olho, lembram daquelas nossas provas de Empresarial? Huuum! Eu lembro! Pois é, é algo bem do tipo Jesus, sabe: “Quem nunca pecou que atire a primeira pedra”. Pelo visto, alguém atirou, e sabe o que é pior? Não teve a INTEGRIDADE de assinar embaixo.
Imagine o mundo. Agora imagine uma fila indiana ao redor dele, e cada pessoa carrega uma mochila nas costas. E você é uma dessas pessoas. E na sua mochila você carrega os seus defeitos. O cara da sua frente tem uma mochila com os defeitos dele. E você tá apontando o dedo pra ele, pra essa mochila dele. Mas o foda é que tem um cara atrás de ti apontando pra tua mochila. E você não pensa nisso. Se olhe no espelho. Se enxergue. É bom praticar isso.
Raíssa Biolcati
2 comentários:
Prepare-se. A babaquice não tem limite. Depois que você sair da faculdade ainda irá encontrar babacas na rua, no serviço e às vezes até em casa. Viver também é exercitar a paciência diariamente.
Um abraço Raíssa.
Isso passa moça. E tomara que eu nunca precise de um advogado na minha.
Que turminha essa sua... Na minha universidade eu nunca tive "turma", cada aluno escolhia a materia que bem entendesse. As vezes você encontrava uns conhecidos no corredor mas, se hj eu tenho contato com uns 3 ou 4 é muito. Pelo q eu ouço dizer (e vejo também) A universidade é como um ninho, de onde saem as cobras profissionais. Órgão público é um antro de cobras e intrigas. Você tem que estar alerta a todo tempo e ficar longe da tentação de entrar numa fofoca, ou na "malhação" do chefe. Em tempo: no segundo grau, eu tinha uma calculadora cinza cuja tampa saía. Um dia, descobri que a escrita a lápis nessa tampa era imperceptível. A não ser em um ângulo bem discreto em que a luz clareava a tampa, mas não o lápis. Fórmulas de física e matemática passaram por lá. Ninguém nunca desconfiou. Genial né??
Beijos, Raíssa!!
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