segunda-feira, 25 de julho de 2011

Podres Poderes

Enquanto os homens exercem seus podres poderes


Motos e fuscas avançam os sinais vermelhos

E perdem os verdes

Nós somos uns boçais

Queria querer cantar setecentas mil vezes

Como são lindos como são lindos os burgueses

E os japoneses, mas tudo é muito mais



Será que nunca faremos se não confirmar

A incompetência da América católica

Que sempre precisará de ridículos tiranos

Será, será que será, que será, que será

Será que esta minha estúpida retórica

Terá que soar, terá que se ouvir por mais mil (zil) anos



Enquanto seus homens exercem seus podres poderes

Índios e padres e bichas, negros e mulheres

E adolescentes fazem o carnaval



Queria querer cantar afinado com eles

Silenciar em respeito ao seu transe, num êxtase

Ser indecente, mas tudo é muito mau



Ou então cada paisano e cada capataz

Com sua borrice fará jorrar sangue demais

Nos pantanais, nas cidades, caatingas e nos gerais

Será que apenas os hermetismos pascoais

Os tons, os mil tons seus tons e seus dons geniais

Nos salvam nos salvarão destas trevas e nada mais



Enquanto os homens exercem seus podres poderes

Morrer e matar de fome, de raiva, de sede

São tantas vezes gestos naturais

Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo

Daqueles que velam pela alegria do mundo

Indo mais fundo tins e bens e tais

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