sábado, 15 de outubro de 2011


Oi, tudo bem?

Você por aqui... De novo. Sinceramente, você sumiu por um bom tempo, BOM tempo, entende? Porque a verdade é que eu não senti sua falta nem por um milésimo de segundo. Quando você partiu, eu me senti tão aliviada! E foi tão maravilhoso que eu sonhei em viver pra sempre sem você aqui me atormentando a vida, mas como as coisas são estranhas, né? Você volta assim, do nada, sem quê, nem pra quê. Sem convite, sem vergonha na cara, sem nada, nu e cru, como você é, heim! Essa sua singularidade me sufoca. Às vezes eu acho que eu passaria a vida inteira procurando alguém igual a você e jamais encontraria. Graças a Deus, porque se existissem dois de você o mundo estaria perdido. Só um já extrapola de longe o que seria o suficiente. Não senti sua falta. É isso. Eu preferia quando você estava longe, também não me importava onde você estava, só o fato de não estar aqui já me contentava e muito. Nunca gostei de sonhar com você todas as noites e acordar por volta das 5h da manhã atormentada e com os olhos encharcados de lágrimas e o coração disparado. Nunca gostei de sair nas ruas olhando pros lados e me sentindo sufocada mesmo com tudo isso de ar. Odiei ter lido só um livro em um ano, porque todos os outros que eu comecei eu não consegui terminar já que quando eu chegava à terceira linha eu não pensava mais na história, não lembrava o que tinha lido e minha mente tava em todos os lugares menos no livro, ou seja, odiei perder minha realidade alternativa. Nunca gostei de me calar quando gritava por dentro, porque isso dói tanto. Tenho medo de adquirir uma doença psicossomática por conta de tudo aquilo que eu ouvi calada, quando a única coisa que eu queria era gritar tudo o que sinto por você pra sempre até perder a voz. Também não esqueci da insônia que você me deu como presente grego, porque se você quer saber ela me acompanha até hoje e eu sou nova demais pra ter esse tipo de problema.  Eu queria que você não voltasse, nunca, nunca e nunca. Queria que você pegasse um foguete e fosse morar em Plutão, que nem planeta mais é. A verdade é que eu só quero você bem longe, porque você não combina comigo. É, somos diferentes, entenda isso de uma vez por todas. Minha luz não combina com você e meu santo não bate com o seu. Fui clara o suficiente? Odeio você, odeio você, odeio você, odeioo... Uhul. Odeio. Pra sempre. Some da minha vida, pelo amor de Deus.

Oi, desespero. Oi, de novo. Tchau. Tchau, de novo.



''Indagada, na entrevista, sobre aprendizados do tempo do casulo, a borboleta silenciou, movimentou as asas delicadamente, olhou para a margarida que acabara de abraçar, e sorriu. Contemplativa, revisitou na memória a atmosfera de alguns sentimentos que a pergunta lhe fez acessar. Findo o passeio, respondeu à repórter:
- Houve um momento em que o aperto foi tão extremo e aflitivo que eu imaginei não conseguir suportar. Eu nem sabia que, exatamente naquele ponto, a natureza tecia asas para mim, em silêncio, mas foi lá que senti que eu era feita também para voar. O aperto, entendi somente depois, era uma espécie de morte, um prenúncio da transformação, uma ponte que me levaria a outro modo de ser.''

(Autor Desconhecido)

Um comentário:

Claudiana disse...

Lindoooooooo. Apalusos ao autor e à autora do post!