sábado, 10 de dezembro de 2011

Morrer deve ser um saco

Não, isso não é um “post humor negro” é só que morrer dá muito trabalho. Quanto a quem morre, ninguém sabe o que acontece, as pessoas tem várias crenças e na maior parte das vezes acreditam que quem morre tá melhor do que a gente. E talvez esteja mesmo. Mas quem fica... Quem fica se despedaça. Inevitavelmente se despedaça. Algumas pessoas se despedaçam por algumas horas, outras por uns dias, outras por anos. Há quem passe o resto da vida meio despedaçado. É tão doloroso. Queria arrumar outra palavra para expressar, mas não encontrei. Morrer dói. Deixar tudo pra trás dói. Seguir em frente dói. Tanto pra quem vai como pra quem fica. Somos apegados. O apego nunca quer ir embora e nunca vai querer. A gente sente saudade todos os segundos e sempre vai sentir. Com o tempo a gente se acostuma. Acredito sim que somos adaptáveis, que seguimos em frente, mas é tão difícil e também existem pessoas que simplesmente nunca se acostumam. A gente sente saudade de um amigo que mora do outro lado da cidade, de um amor que mora em outra cidade, a gente sente saudade de todo mundo, mesmo quando vimos a pessoa no mesmo dia de manhã. É horrível... É aterrorizante a ideia de “nunca”. De nunca mais ver, nunca mais tocar, nunca mais cheirar. Nunca é algo muito definitivo e saber que não adianta procurarmos por aí que não vamos encontrar é vazio. E no meio de toda a dor você não pode simplesmente sentar e sentir a dor. Existe todo um ritual que você tem que fazer mesmo despedaçado... Você tem que juntar seus cacos e ir reaver o corpo, providenciar uma urna, realizar um velório, rezar, transportar, enterrar ou cremar e além de tudo gastar uma grana preta pra dizer tchau. Não acho errado gastar esse dinheiro, acho que devemos nos despedir, cada um da sua maneira, mas penso que seja inegável o fato de que esse ritual todo dói. É como se depois de perder uma pessoa que você ama, você tivesse que passar umas 48h com o dedo na ferida sentindo toda a dor do mundo. E quando acaba isso você fica estourado de cansaço, dor e saudade. Imagino como deve ser pior nos países que têm o hábito de oferecer comes e bebes... Como deve ser aquela sensação de querer que todo mundo vá embora da sua casa o mais rápido possível para que você possa sentir sua dor sozinho. Sim, o ser humano até que é solidário nessas horas e talvez todo esse ritual exista por causa da solidariedade, para dar suporte, apoio, para que as pessoas não fiquem sozinhas... Mas nem todo mundo se sente mais confortável tendo que passar por isso. No fim das contas a gente só quer ficar sozinho ou com as pessoas que mais amamos e que sabemos que só de nos abraçarem faz com que uma sensação de proteção e amor nos envolva a ponto de esquecermos por quase um segundo que arrancaram um pedaço da gente.
Desejo força para todos nós, humanos, que não aprendemos a nos desapegar da noite pro dia, que vivemos como se fossemos eternos e que gostaríamos que todos os que amamos também fossem.
Eu espero que Deus me dê tempo. Tempo para que essas coisas se ajeitem de uma vez por todas, sabe? Às vezes fica tudo meio desorganizado.

Um comentário:

Mulher Vã disse...

Cedo ou tarde, todo mundo tem uma história de perda e morte pra contar, é inevitável.
E a cada ano, o natal se torna cada vez mais solitário.
Além da dor, a morte também traz empatia, sim, porque só quem já passou por isso sabe que palavras por mais belas, eloquentes, tornam -se ocas e sem sentido num momento como este. Resta um olhar de compreensão e um abraço de eu entendo.

O que fazer se "não sou mais tão criança a ponto de saber tudo".

Elas é que são felizes.

=
Abraço forte.

Vã.