sábado, 9 de junho de 2012

Respeito


As pessoas se preocupam incomodam demais com os outros. Que diferença faz se teu vizinho dirige um super carro e usa terno Armani? Ou se vai a pé e mal vestido? Que diferença faz? Que diferença faz se ele é branco, negro, coreano, judeu, gay, evangélico ou kardecista? Que diferença faz? O que muda na tua vida? Por que todo esse incômodo? Às vezes dá vontade da gente se enfiar num barquinho e ir remando até uma ilhazinha só pra ficar longe de todo mundo mesmo. Às vezes “todo mundo” cansa. As pessoas são tão cruéis. E é por tão pouco. Tem uma coisa que me intriga muito. A falta de respeito me intriga. Não entendo. Não compreendo. Acho que nunca vou entender. Vejo na palavra “respeito” uma verdadeira palavra mágica. Às vezes até acho que o maior dos mandamentos deveria ser “RESPEITAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS. E RESPEITAR O PRÓXIMO COMO A TI MESMO”. Pronto. Parece que tudo se resolveria, assim, num passe de mágica. Acho que com a quantidade absurda de sentimentos que somos capazes de abrigar em nossos devidos corações, esse mandamento deve ser mais fácil menos difícil de se cumprir do que o mandamento de amar. Não conheço uma única pessoa que ame o próximo como a si mesmo, a não ser que o próximo seja de fato um próximo muito, muito, muito próximo, e, ainda assim, o egoísmo prevalece na maior parte. Amor incondicional? Nem de mãe. Incondicional é uma palavra muito forte se levada ao pé da letra. Respeitar parece menos difícil do que amar, não parece? Porque respeitar é só saber dos limites. Respeitar é ter a liberdade de não gostar, não concordar, mas ao mesmo tempo entender que isso não te dá o direito de ser intransigente. Existem linhas. Existem limites. Não parece, mas existem. Respeito é o sentimento que nos impede de dizer ou fazer coisas desagradáveis a alguém. Refletindo sobre isso, parece ser assim, tão pouco, tão simples, não é? Não, não é. Definitivamente não é. Eu aprendi a respeitar as pessoas. Foi uma das coisas mais difíceis, mas eu tive que aprender. E não é que hoje eu domine o assunto, porque cometo vários deslizes e depois peço desculpas, mas hoje eu sei ficar mais no meu lugar do que antes. Mesmo quando dá aquele aperto no coração, aquele frio na barriga e o meu corpo inteiro começa a tremer de tanta raiva, eu já aprendi a respirar fundo, por respeito, e ir embora. Controlar as nossas emoções, no fim das contas, é o maior dos desafios. Mesmo que ninguém goste de perder o controle, todos sabem como é fácil isso acontecer. A gente simplesmente perde o controle e quando paramos para prestar atenção na situação, já é tarde. Já falamos o que não devíamos, já batemos em alguém, já destruímos pessoas ou coisas importantes... E nem sempre são coisas simples e facilmente reparáveis. E se eu, você e o mundo tivéssemos mais respeito, quantas coisas seriam evitadas... De simples discussões com o tão incomodado vizinho à guerras mundiais. Hoje, eu acredito que as religiões afastam mais os homens de Deus do que a falta dela. Mas isso é outra história. O problema de viver em sociedade é que todas essas inconveniências “fazem parte”. É frustrante saber que por mais que eu esteja aqui reclamando, não conheço ninguém, nem eu mesma, que não faça parte dessas pessoas inconvenientes que não obstante desgoste de tudo isso, acaba fazendo algum comentário fútil e idiota ocasionalmente. Perfeição é obviamente uma palavra que se autoexplica como uma utopia, mas eu não tô buscando a perfeição. Eu tô buscando o mínimo possível, admissível, necessário, aceitável, para a dignidade das pessoas. O respeito. O mínimo de respeito. Só isso. Porque se esse mínimo existisse, o mundo já seria um lugar tão, tão melhor. Se as pessoas se incomodassem com quem merece atenção, com os problemas sociais e não com as futilidades sociais, já tava excelente. Mas não.

Queria mais amor. Mas na impossibilidade do pedido, peço só mais respeito mesmo. Vai que cola, não é?

Um comentário:

Dom Rafa disse...

...E respeito falta aqui no Brasil, viu? Não sei por aí, mas em Brasília, já cansei de ver pessoas atirando lixo pela janela do carro. E como muitos pensam, não é um "pobre que não teve a educação necessária" ou um "playboy riquinho de 18 anos". Geralmente quem vejo fazer isso anda de carro importado, e visivelmente tem mais de 40 anos. Como um cara bem sucedido o bastante pra dirigir um Santa Fe taca uma garrafa de Coca Cola pela janela? Não me diga que ele não sabe que isso é errado?
Enquanto isso, o legislativo fica criando o Dia Nacional do Quilo. Way to go, Brazil!!