Relacionamento é a coisa mais escrota que existe. Duas pessoas com cabeças diferentes tentando achar um denominador comum. Você acha uma mulher linda, mas é chata ou burra. Uma é louca, mas perfeita, só que tem namorado, então deixa pra lá. Uma legal e bonitinha, mas cheia de TOCs. E vem a próxima e você pensa: "agora vai", mas você adora balada e ela é muito caseira. Aí tem outra, aquela loira, que você acha incrível, inteligente, determinada e bem resolvida, mas em um mês você percebe que ela ainda tem muito o que viver e aprender nessa vida. Aí tem a ruiva, que é ruiva (!), mas só sabe falar dela mesma. A morena... Mas a morena tem o ex namorado apaixonado que não sai do pé dela e nem ela sabe mais como mandar ele embora. Tem aquela vizinha, que é gostosa, mas não quer nada da vida além de ser gostosa. E aquela outra da padaria que tem um sorriso encantador, mas tem uma família muito complicada. A amiga da sua irmã que é bonita, mas se veste que nem sua avó. Sua prima, inteligente, bonita, mas vai que nasce tudo torto, né? Melhor não arriscar. E tem aquela... Aquela que é maravilhosa, mas que seu amigo que pega, então você não deve se meter. E aí tem uma que é especial, e você faz tudo por ela, porque sabe que ela é aquela que você poderia passar o resto da sua vida, só que aí é ela quem começa a achar um monte de adversidades em você. Foram muitas mulheres, né? É porque teoricamente só tem dois sexos e pra onde você olhar você vai enxergar muitas e muitas mulheres e em cada uma delas uma possibilidade. Mas a questão não é quantidade. A questão é você aceitar que nenhuma delas vai ser exatamente como você planejou e que você nunca vai ser exatamente o que elas planejaram. Eu descobri o que significava a palavra "amor" quando eu encontrei pessoas com "defeitos" gritantes e eu não conseguia enxergá-las de uma maneira diferente por isso, eu amava as pessoas mesmo elas sendo cheias de defeitos e eu compreendia os defeitos e arrumava uma maneira de lidar. É porque "amar" tem a ver com "ceder". Amar não é aceitar, porque tem coisas que não são saudáveis e precisam sim mudar, mas outras que só por não serem como queremos não significa que não sejam perfeitas à sua maneira. Às vezes enxergamos defeitos que não existem, às vezes damos valor à coisas erradas. Mas é porque se relacionar é assim mesmo, bem complexo. Envolve respeito, limites, carinho, cumplicidade e deveria envolver uma bola de cristal e um mapa pessoal de cada indivíduo, mas esses dois últimos são só ilusões, porque não existem e nem vão existir. Cabe à nós aprendermos no dia a dia ou nos cansarmos e irmos embora, porque mais importante que tudo é saber que amor não prende, amor liberta. Você consegue fazer coisas que não faria normalmente só pra ver a outra pessoa feliz. Porque amor é maior que nosso egoísmo, ou pelo menos deveria ser. Quando você vê seu amigo desfilando com uma galhada na cabeça e a mulher do lado é porque ele ama tanto ela que não consegue se enxergar, isso não é saudável ou aceitável, mas é amor. Amor que tem a ver com perdão e uma crise eterna entre amor próprio e amor ao próximo... Um dia um dos dois vence a guerra e a vida continua. Porque a vida sempre continua... E o amor também. Mas as escolhas sempre são nossas, sempre.
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