O que faz você conhecer de verdade uma pessoa?
Os livros que ela lê? As roupas que ela veste? O sobrenome que ela carrega? A quantidade de dinheiro na conta bancária? A maneira que se comporta?
A gente passa a maior parte da vida em um grande processo de autoconhecimento, tentando descobrir nossos próprios limites, quais seriam nossos princípios, será que temos princípios? E convicções, e crenças, nossas coisas.
É isso que somos? Um amontoado de ideias soltas, às vezes interligadas. Acertos, erros, experiência, tempo, maturidade. O que nós somos?
Somos tão complexos que a vida inteira parece pouco tempo para nos conhecermos, mas somos tão pretensiosos que achamos que em vinte minutos numa mesa de bar somos tão espertos a ponto de observar alguém e achar que sabemos tudo sobre essa pessoa.
Temos essa mania egocêntrica de achar que sabemos demais, quando na verdade a gente não sabe nem o que vai fazer. Se vai ligar ou não, se vai chamar ela para sair ou continuar só no pensamento, se vai mudar de emprego e procurar coisa melhor ou se vai permanecer ali por mais tempo.
A gente não sabe de nada.
Algum sábio disse por aí que se conselho fosse bom a gente vendia, não dava. Será?
Às vezes me impressiono em como o problema dos outros é tão pequeno e simples perto do nosso.
Como achamos que nosso problema sempre é maior que o de todo mundo.
Como achamos que as outras pessoas são pequenas, são pouca coisa e que nós somos muito.
Somos tão importantes assim?
Sim. Somos tão superimportantes e superiores ao resto que achamos que podemos compreender aquilo que nem eles entendem.
Achamos que as respostas que as pessoas buscam ao longo de toda uma vida está bem na frente da cara delas e elas não querem enxergar. Será que é isso mesmo?
Na minha humildade, que não sei se é muita, mas é suficiente, somos todos pequenos. E diante dessa nossa pequenez sobra tão pouca coisa que subsidie toda essa prepotência, todo esse peso de julgamento para decidir sobre aquilo que não nos compete.
Eu não sou a mesma pessoa que eu era há 8 anos atrás. E nem a mesma pessoa que eu era há 5 anos atrás. E nem a mesma pessoa que eu era há dois anos atrás. E talvez nem a mesma pessoa que eu era ontem enquanto tomava meu café da manhã.
A gente muda o tempo todo.
Recebemos uma quantidade enorme de informações que influenciam em nossas ideias, nossas convicções, nossas crenças, em tudo aquilo que achamos que temos controle e que talvez nem tenhamos tanto assim.
E mesmo sabendo de tudo isso... Ainda nos achamos no direito de resolver a vida de uma pessoa em cinco frases magoadas.
Em julgar tudo aquilo que talvez ela tenha levado anos para entender ou talvez nem tenha compreendido e sabe lá Deus se vai compreender...
Isso me assusta.
O ódio me assusta.
A mágoa me assusta.
Tudo isso que a gente cria e alimenta dentro do peito e que faz mal, me assusta.
Essas ideias tão acertadas sobre aquilo que não se tem nem ideia, sobre aquilo que não se conhece, que não se vê, que só Deus sabe...
Por que?
Vou continuar pedindo pra Deus, pro universo, pro tempo, pra roda da vida e pra quem ou o quê mais aparecer para que cada coisa tome o seu lugar de uma vez, porque todas essas coisas não voltam, sabe...
Todo esse tempo perdido nessa guerra fria não se encontra.
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