segunda-feira, 18 de julho de 2016

Como eu era antes de você. Depois de você.


Como eu era antes de você.

Acho que cada livro que lemos nos transforma em uma pessoa diferente. Nos toca de um modo diferente, nos leva a lugares diferentes...
Li esse livro há três anos atrás. Na época ele tava explodindo nos EUA e pouca gente falava nele por aqui, pelo menos nem perto de como falam agora.
Comprei o livro pra dar de presente pra uma amiga e pensando nisso, resolvi comprar pra mim e ler também, pois acho meio estranho presentear alguém com um livro que nunca li.
Pra falar a verdade eu nem li a sinopse direito... Me surpreendi a cada página com a história, principalmente porque uma pessoa tetraplégica é alguém que eu ainda não tive a oportunidade de conviver e ver de perto todas as dificuldades enfrentadas... De repente eu me senti tão próxima de alguém que vive assim.

E, pra variar, me coloquei no lugar de alguém assim. Como algumas mudanças acontecem na nossa vida e simplesmente não sabemos lidar. Como perdemos a fé na vida, em Deus ou no que quer que acreditemos e como é difícil aceitar e se adaptar a uma vida diferente.

Seria possível se apaixonar por alguém e ainda assim desejar ir embora de vez sem a possibilidade de voltar, ou se arrepender, ou sei lá o quê? Às vezes a gente tem o melhor dos motivos para ficar e ainda assim decide ir.

Decisões. Sempre difíceis, constantes e avassaladoras. 

Talvez eu quisesse deixar de existir também. Mas a ideia de ter um bom motivo pra ficar e ainda assim querer ir em razão de tantas limitações me instigou muito... Poucas pessoas fazem isso. Coragem? Altruísmo? Covardia? Egoísmo?

Já parou pra pensar em como a linha é limítrofe?

E a Lou... Como aceitar que alguém que amamos vai embora? Se quando a gente briga com alguém já parece o fim do mundo, imagina aceitar que a pessoa se vá por vontade própria?!

DEPOIS DE VOCÊ.

Não era um livro que eu tava esperando, mas foi um livro necessário.

Como eu era antes de você é um livro que te destrói e te faz pensar em tudo aquilo que foi feito pra não ser pensado, porque você foi criado pra não aceitar. Nossos preconceitos sobre vida e morte. Suicídio assistido. Coisas que normalmente nos poupamos de pensar ou simplesmente não nos damos ao trabalho...

Lembro como se fosse hoje, terminei o livro e contei a história dele toda pra pelo menos três pessoas e fiz as três lerem o livro todo porque eu realmente precisava desabafar e falar sobre ele.

É como quando a gente tem uma desilusão amorosa e fica aquele embrulho no estômago e você precisa de algum modo lidar com isso. O livro termina exatamente aí.

E aí vem depois de você. Pra mostrar que nossa dor não é especial. Que todo mundo passa pelas mesmas dores... Sofre dos desamores... Pelas perdas que temos na vida... E que todo mundo também acha que sofre mais que qualquer outra pessoa. Que sua própria dor sempre é maior e mais dolorida. Será?

Essa mania de grandeza de dor serve pra que mesmo?

Bom, a gente supera. A gente sempre arruma uma forma de superar. Pode ser a mais inesperada, pode ser a mais improvável, normalmente é, mas tudo superamos, tudo no seu tempo ...

O tempo vai passando e a gente vai se dando conta de que as coisas vão mudando. Um dia, um belo dia, nos damos conta que existem outras pessoas que também são importantes. Que temos outros motivos para viver e que aquela dor avassaladora vai se transformando em saudade. Em aprendizado, em experiências que vivemos que vão encontrando seus lugares e dando espaço para novas histórias, novos caminhos.

Como eu era antes de você.
Você.
Depois de você.

Como tudo na vida...

 

P. S.: Como toda leitora que se preze, fiquei um tanto frustrada com o filme, que apesar de ser bom, não chegou nem perto de me passar todas as emoções que absorvi do livro.

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