quinta-feira, 30 de abril de 2020

Medo. Angústia. Apreensão. Nervosismo. Nó na garganta. Eu sei que nó na garganta não é um adjetivo, mas descreve esse sentimento também. Dor de estômago também, porque o frio na barriga de nervoso, vira isso depois de um tempo.
Não têm sido dias fáceis. Hoje já estamos em 30 de abril, mas minha quarentena começou em 17 de março. O mais louco é que o tempo ao mesmo tempo voou e parou. Porque olho ora trás e parece que foi ontem. Mas aí olho o período mais de perto e já aconteceu tanta coisa e já recebi tanta notícia que parece mais um século de informações.
Aos 29 anos, não é normal ouvir notícia de tanta gente morrendo ao mesmo tempo. E sentir dor pela dor geral que paira em nossas cabeças. Também não é normal tanta gente doente. Parece que o último surto de gripe que teve foi em 1918 a 1920, gripe espanhola. E agora, nosso demônio é o COVID-19.
Não sei se é mais louco estar vivendo nesse tempo ou se é já ter se passado tanto tempo da pandemia da gripe espanhola e até hoje o governo não ter se preparado para isso. Não ter sequer pensado nessa possibilidade. O mundo inteiro parou. Estamos em isolamento social, isso significa que as pessoas ficam em casa, e quando saem na rua, o que acontece em caráter de exceção, obrigatoriamente têm que usar máscaras, que não são mais cirúrgicas, pois essas esgotaram. Agora já são de pano, e se não usar, tem multa. Se não usar, não entra nos estabelecimentos que ainda estão abertos, que agora são só os essenciais para a manutenção da vida humana.
Que tempos sombrios. Aos 29 nunca vivi isso e nunca imaginei viver isso. Aos 74, meu pai também nunca viveu isso.
Estamos todos na casa da minha irmã em Marabá, pois minha mãe está internada. Advinha? Covid-19. Nunca rezei tanto na minha vida. Acho que nunca sofri tanto também. E não sou especial, é um sentimento generalizado. Parece que o sofrimento está no ar. Todos são iguais agora, entende?
Pra que comprar roupas, se a gente mal sai de casa? Nem lembro mais a última vez que me maquiei. O trabalho é home office. Tomo vitamina C todo dia, como salada e bebo água com limão também, afinal, precisamos reforçar a imunidade, não é? As contas estão atrasadas. Mas nem estou mais tão preocupada com isso, porque é melhor ter conta e estar viva, do que não ter saúde. Prioridades. Tudo que eu queria era a cura. Era enfiar os meus embaixo do braço, ser um tipo de mulher maravilha, e saber que estamos todos bem. Mas não estamos. E isso é o que fode tudo.

Um comentário:

Gugu Keller disse...

Ter coragem não é não ter medo, mas seguir em frente apesar dele.
GK