terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Ela É.

A minha mãe é o cara.

A minha mãe tem medo de altura, mas não tem medo de barata.

A minha mãe nasceu no interior e veio de uma família pobre. A minha mãe estudou. A minha mãe veio pra Belém estudar e trabalhar. Ela estudava de dia e trabalhava de madrugada como telefonista. Foi o primeiro emprego dela.

A minha mãe foi uma das quatro mulheres de seis filhos. A minha mãe tem trauma de água fria, ela só toma banho quente porque quando ela era criança jogaram uma bacia com água gelada nela porque ela estava chorando.

A minha mãe perdeu o pai cedo, ela tinha uns 20 anos, ele morreu de câncer. Ela estudou pra fazer medicina, mas quando meu avô tava mal ela cuidou dele e com isso ela desistiu de medicina. Ela sorteou num papel as áreas da saúde e fez nutrição.

A minha é muito inteligente. A minha mãe é funcionária pública, gosta de manifestaçoes sociais, tem um emprego estável e tem um cargo. A minha mãe é meu ídolo.

A minha mãe é minha mãe e mãe de mais duas. Somos três. Ela criou três filhas da melhor maneira que se pode criar um filho. Ela educou, guiou, transmitiu valores e amou. E ama. Ela ama incondicionalmente.

A minha mãe perdoa fácil. A minha mãe tem a personalidade forte, vai atrás do que quer e sempre tá certa. A minha mãe me ensinou a ter fé. A minha mãe é otimista. A minha mãe me ensinou a pensar grande, porque quando a gente pensa grande a gente cresce na vida. Mas pensar grande com restrições, não esquecendo dos valores.

O que eu tenho hoje? A minha mãe comprou apartamento, carro, móveis, livros, discos, roupas, pagou colégio, faculdade, plano de saúde, tudo. Algumas coisas em parceria com meu pai, mas muitas coisas de maneira independente.

A minha mãe sonha em conhecer a Grécia. Um dia eu vou levar a minha mãe pra Europa.

A minha mãe é católica.

A minha mãe ama açaí, ela toma açaí todo dia. Ela poderia tomar açaí no café, no almoço e no jantar. A minha mãe é viciada em age of empires. Se ela pudesse, acho que ela passaria o dia jogando e nas horas vagas ela tomaria açaí.

A minha mãe gosta de ficar em casa. Ela chama palavrão ocasionalmente, mas não gosta que a gente chame. Ela não é uma mãe moderninha. Ela é tradicional, antiquada, pergunta pra onde eu vou, com quem eu vou e que horas eu volto. A minha mãe se preocupa comigo e vai ser assim sempre. Eu vou tá casada, com filhos e ela vai continuar querendo saber o que eu tô fazendo da vida.

A minha mãe dá aqueles conselhos de sempre até hoje, pra mim e pras minhas irmãs: “Não largue a bolsa na mesa, não aceite bebida de ninguém, não volte com ninguém que tenha bebido e JUIZO”. E ela também liga atrás quando a gente na dá sinal de vida. E quando ela sai, a gente dá esses mesmos conselhos e liga atrás dela e ela ri.

A minha mãe cozinha muito bem, mas ela não gosta de cozinhar.

Quando eu fico doente, eu quero a minha mãe. A minha mãe tem o melhor abraço do mundo inteiro. É um abraço de mãe que parece um abraço de urso. Tá,eu não sei explicar.

A minha mãe me acha muito inteligente. A minha mãe já se decepcionou comigo. A minha mãe já teve orgulho de mim também, mesmo quando não tinham muitos motivos pra isso. A minha mãe já chorou junto comigo. A minha mãe me chama “de bebê gordo”. Quando eu vou sair eu sempre peço a opinião da minha mãe pra saber se eu estou bonita, se eu não tiver ela diz e eu mudo de roupa. A opinião dela influencia na minha vida, mesmo que as vezes eu seja obrigada a desconsiderar.

A minha mãe é teimosa como só ela sabe ser. Eu sou parecida com a minha mãe, por isso que às vezes a gente briga, mas ainda não chego aos pés dela.

A minha mãe tem sexto sentido de mãe. Ela sempre sabe das coisas, mesmo que eu quase nunca admita isso.

A minha mãe é melhor que eu. Um dia eu vou ser quase igual a ela. Quase, porque tem coisas que eu vou fazer de maneira diferente, mas igualmente bem.

Eu faço tudo pela minha mãe.

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