Nunca tenho um lado que não seja o meu próprio lado e algumas pessoas não conseguem entender isso. Acho que o mais importante seja você conseguir equilibrar as coisas, que você consiga analisar tudo sozinho e tirar suas próprias conclusões, sozinho. Já escutei muita coisa na minha vida. Até porque eu adoro ouvir fofoca. Dificilmente repasso o que eu escuto, mas gosto de escutar, porque acho que não tem nada melhor do que ouvir o que as pessoas falam pra você poder conhecê-las. Eu conheço todas as pessoas que estão ao meu redor. Não acredito que o ser humano seja essencialmente podre, mas acredito que todo mundo tenha lá a sua parcela de podridão. Mas também acredito em pessoas boas, acredito em má fé e em boa fé. Por analisar todos ao meu redor eu sei exatamente até onde eu posso contar com cada um e é fato que na maioria das vezes a gente não pode contar muito, é só um pouco. Só um pouco... Não gosto de pessoas falsas, não estou dizendo que detesto falsidade, apenas que não gosto. Falo isso porque com certeza em algum momento da minha vida pode ter acontecido de eu me encaixar em uma situação onde acabei agindo dessa forma, mas não necessariamente com esse objetivo. Eu tenho uma teoria de que Judas não traiu Jesus, por exemplo, mas mesmo assim ele é tido como falso, mas enfim, isso fica para um outro momento. As pessoas são complicadas e eu acho isso interessante. Acho interessante a maneira em que pensamos que somos eternos, que somos os melhores, que não cometemos erros, que só nós estamos certos (mesmo quando o mundo inteiro pensa de maneira diferente), que a gente nunca vai estar em baixo, que a gente tem o direito de diminuir as outras pessoas, pensamos que podemos TUDO e ainda pregamos o respeito quando nossas atitudes passam longe disso. Esse pensamento me deixa com uma sensação de frustração. Eu costumo falar muito. Muito mesmo. Tanto que às vezes até eu canso de mim mesma e isso me faz parecer impulsiva, mas nem é bem assim, sabe. Eu costumo pensar nas coisas que eu faço e falo e nos motivos que me levaram a fazer tal coisa, nos por quês... Eu considero a autorreflexão uma extrema necessidade na minha vida. Acho que se todo mundo conseguisse fazer isso, conseguisse refletir, colocar a mão na consciência... O mundo seria um lugar melhor, as pessoas seriam melhores, mas isso é utopia. E essa utopia não é aquela do tipo que diz que as melhores coisas que já existiram já foram consideradas utopia um dia... É algo que realmente É utopia. Eu só tenho 19 anos, mas eu já vivi muito. Vivi muito mais do que pessoas de 50 anos que eu conheço... Pode parecer falta de humildade, talvez seja de fato, mas se eu aprendi em 19 anos tudo isso eu não consigo não me perguntar como tem gente que consegue passar uma vida inteira e não aprender nada. E achar que é só aquilo, daquele jeito e pronto. Gente, o mundo é GRANDE, ele não é uma bolha onde você pode se instalar e absolutamente nada vai te atingir. Eu cheguei num ponto onde pouca coisa me assusta, sabe? Parece que tudo o que acontece na minha vida e que pode vir a acontecer é pouca coisa. Foi-se o tempo em que me mundo parava porque alguém falou mal de mim, foi-se o tempo em que eu cortava relações com uma pessoa porque ela teve uma atitude que eu considerava absurda, foi-se o tempo onde eu complicava as coisas na minha vida. Hoje eu escolhi simplificar. Hoje eu simplifico. Agrado a todos? Não, sinceramente, eu estou MUITO longe de agradar as pessoas ao meu redor, a diferença é que hoje eu consigo dormir mesmo assim, porque no fim das contas quem encosta a cabeça no travesseiro e dorme sou eu e antes de agradar qualquer pessoa eu tenho que estar em paz comigo mesma. Muito dificilmente alguém vai me ver agindo em função dos outros, eu nunca fiz isso e eu nunca vou fazer isso, porque pra mim isso não é certo. Eu não consigo visualizar uma pessoa que vive bem se ela não vive em função da sua própria felicidade, porque enquanto você procurar viver em função da felicidade dos outros, você não vai se sentir completo. Por incrível que pareça só existe uma coisa que me assusta hoje que é a saúde, na verdade, a falta dela. Isso me assusta. Falo tanto da física quando da emocional. Acredito que nesse último ano grande parte das minhas orações tenham sido direcionadas a essa área. Tenho visto pessoas ao meu redor desmoronarem por não terem essa saúde, por não terem esse equilíbrio e em alguns momentos eu me vi agarrando desesperadamente o que me faz forte para não acabar indo junto. Me sinto mal com isso tudo, mas eu sempre volto aquela velha história da máscara de oxigênio: primeiro você precisa colocar a máscara em você mesma e depois na pessoa do lado, porque se você não conseguir respirar, você não tem condições de ajudar ninguém. Ontem eu comecei a ler: “comer, rezar, amar”. O livro é quase minha autobiografia e pretendo algum dia escrever um livro assim. Eu sou uma pessoa que há muito tempo busca esse equilíbrio, o equilíbrio entre o bom e o belo. “Para encontrar o equilíbrio que você busca — disse Ketut por intermédio do tradutor —, é nisso que você tem de se transformar. Precisa manter os pés plantados com tanta firmeza na terra que é como se tivesse quatro pernas, em vez de duas. Assim, você consegue permanecer no mundo. Mas você tem de parar de ver o mundo através da sua cabeça. Em vez disso, precisa olhar pelo coração. Assim você vai conhecer Deus”. Eu sinceramente acho que é mais ou menos por aí e é assim que eu sigo. Eu sei que às vezes eu posso parecer egoísta, mas o fato de eu tentar cuidar de mim antes de cuidar dos outros não quer dizer que eu seja egoísta. Eu me preocupo muito com as outras pessoas, só que eu não posso pensar nelas antes de pensar em mim. Quando eu fiz isso, eu fiquei doente. Hoje eu cuido de mim, porque se eu não cuidar de mim primeiro eu não consigo alcançar o meu equilíbrio e eu realmente preciso dele.
Não importa o que você precise fazer para alcançar o seu equilíbrio, se você precisa passar um ano viajando por três países diferentes para conseguir isso, faça isso. Porque quando você alcançá-lo, tudo vai valer a pena e tudo vai fazer sentido.
Receio que algumas pessoas demorem tempo demais até se darem conta do que deve ser feito. E temo que seja tarde demais.
Errar é pensar que conhecemos suficientemente qualquer área da vida.
"Não creiais em coisa alguma pelo fato de vos mostrarem o testemunho escrito de algum sábio antigo. Não creiais em coisa alguma com base na autoridade de mestres e sacerdotes. Aquilo, porém, que se enquadrar na vossa razão e, depois de minucioso estudo, for confirmado pela vossa experiência, conduzindo ao vosso próprio bem e ao de todas as outras coisas vivas : A isso aceitai como Verdade. Por isso, pautai a vossa conduta”.
(Sidarta Gautama, 500 A.C.)
9 comentários:
Comecei a ler a "garota que surrrupiava os livros" e teu post começa com a citação da Morte (e as citações dela são, sem dúvida, a melhor parte do livro. Vi (não li) comer rezae e amar, virei fã do Ketut e seu post termina com ele... Coincidência? Sei lá.
Muito interessante seu post; pelo que vc escreve, achei que vc fosse mais velha. Parabéns!
Beijos!!
Eu sempre aprendo um pouco mais contigo...Já te disse isso uma vez e repito.
Apesar de discordar de algumas coisas, concordo que a gente precisa viver nossas vidas e pensar sempre em nós antes de todos mas isso é meio egoísta, muitas vezes me sinto egoísta. Enfim, eu detesto pessoas falsas e falsidade. Tu realmente falas muito, falas tanto que nem dá pra entender...mas és uma das pessoas mais maduras e inteligentes que eu conheço. Continue assim, viu? Orgulho da amiga!
Falando sério, não existe pessoa que queira mais a tua felicidade do que eu.
Flor, EU te amo muito!!
Heyy!
Não achei teu post sem pé nem cabeça, como dissestes no meu blog, mas pelo contrário... Achei que faz MUITO sentido! Adorei!!
SAUDADE tbm, aparece no MSN ou aqui no sul!
Beijão!
Para mim faz todo o sentido. Na verdade o tempo todo da minha vida inteira eu penso nisso, em ser justo. Em tentar ser o mais justo possível mesmo que isso me atinja. Acredito na justiça interior e na consciência coletiva. E eu quero acreditar que isso torne de nós mesmos pessoas cada vez melhores, rumo a verdadeira evolução (Intrapessoal) que deveríamos seguir.
Adoro teus posts,sempre me fazem refletir,pena que eu não consigo ler todos os que tu escreves. Adorei o textinho lá em baixo, até salvei haha.
beijoooooos RAh linda:*
Bom, já passei por alguns obstáculos da vida.
O segredo da vida - se é que existe apenas um - é não te estressar.
O resto se encaixa com o tempo.
Abraços
Há um tempo eu entro aqui, mas só queria comentar quando eu realmente tivesse algo útil a dizer, e já acho que tenho.
Sabe, você disse sobre aprender coisas na vida... e eu tenho uma teoria de que a gente nunca aprende nada. É isso mesmo: a gente não tá aqui pra aprender. Sabe, o certo e o errado por exemplo, são tão mutáveis! Quando a gente pensa que aprendeu, vem a vida e mostra que não. Eu demorei pra perceber isso, perceber que nenhuma situação é igual a outra, por mais parecida que possa ser. Você também pode demorar, mas uma vez que percebe, nunca mais esquece.
Acho você meio parecida comigo às vezes... eu falo tanto também que às vezes me perco. Consisão não é comigo. Queria saber ouvir mais. Começo lendo seu blog então. Haha
Fiquei curiosa pra ouvir sua teoria sobre Judas, eu gosto dessas idéias incomuns ;))
Te adicionei. Beijos!
Acho que a gente aprende sim, mas não no sentido das situações serem iguais e podermos aplicar nosso conhecimento sobre a vida em uma determinada área da mesma forma que aprendemos matemática, por exemplo. Quando eu digo que aprendi... Acho que eu estou querendo dizer que eu aprendi que a gente não aprende nada. Porque o que eu aprendi é mais ou menos isso: que as situações são diferentes, que as pessoas são diferentes e que eu não estou certa quase nunca, exatamente porque certo e errado são coisas que dependem de um referencial. Mutáveis, como você disse. Mudam de acordo com a pessoa, os valores, a cultura, o lugar, a religião, os costumes, etc. E eu aprendi a não me importar com isso, a não parar minha vida por coisas pequenas e procurar aquilo que me faz feliz não me importando com o fato de que o que me faz feliz não é a mesma coisa que faz outras pessoas felizes e menos ainda com o que os outros vão pensar. E acho que isso é MUITA coisa quando eu vejo que tem tanta gente presa nessas questões de certo ou errado, que viveram uma vida com frustrações, uma vida altamente limitada e entram em crise quando acontece algo grande o suficiente que faz com que essas pessoas comecem a se questionar sobre as verdades absolutas, sobre o certo e o errado, sobre Deus, sobre moral, sobre o amor. Acho que cada um deve procurar o que lhe faz bem, individualmente, buscar suas próprias respostas e o seu próprio equilíbrio, porque o meu equilíbrio não é o seu. Enfim, se eu falar mais vou me perder, mas o fato é que a ideia acaba sendo paradoxal mesmo... A gente aprende que na verdade não se aprende.
Beijos
Raíssa, eu achei que você fosse mais velha. Só 19 aninhos? Então, dou os meus parabéns por ser uma garota que tem bons argumentos para escrever e por saber viver refletindo e aprendendo. Há tantas garotas fúteis por aí... Bem, tem muita gente adulta que não amadureceu ainda. Beijos!
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