sábado, 23 de outubro de 2010

Qual é o seu limite?

Por quanto tempo você aguenta? Até onde você pode ir? Já teve a sensação de que as pessoas passam 24h por dia te testando? É como se ficassem te levando ao limite o tempo todo pra ver se você consegue respirar fundo ou se você explode. É como se provocassem. Na verdade, não é como. É. Simplesmente é. Provocam. Atiçam. Ferem. Machucam. É como se tivesse uma ferida aberta (não é como, é), em carne viva e ficassem tocando pra ver até onde você aguenta a dor. Mas você respira fundo. Respira. Eu ia dormir a meia hora atrás. Eu estou com dor de cabeça e com enjoo. Talvez as duas dores tenha uma certa ligação. Mas eu vim aqui escrever. Não acho que vou escrever nada muito produtivo hoje, mas é que é um daqueles dias em que respirar fundo e ir dormir não funciona, então eu vim escrever pra ver se alivia. Acho que escrever é como uma terapia para mim. As melhores coisas que eu escrevo são feitas nos piores momentos, no meio dos maiores conflitos, das maiores dores e dos maiores desesperos. Às vezes a condição de ser humana me incomoda. Eu queria mais. Eu queria ser mais. Sou totalmente a favor dos superpoderes, sabe? Não gosto de ter que controlar os sentimentos, as atitudes, as palavras, as dores e as alegrias. Não gosto de limitar nada disso, só limito por ser civilizada. Às vezes eu odeio ser civilizada. Eu odeio a boa educação, o altruísmo, os bons sentimentos, o eufemismo, eu simplesmente odeio. É exatamente essa a palavra, sabe? Ódio. Eu não costumo sentir ódio, tá isso é mentira. Na verdade eu acho que eu não gosto de senti-lo mesmo, mas o fato é que ele existe sim. Eu me tremo de ódio. Literalmente, sabe? Eu sinto tanto ódio que eu fico tremendo, porque racionalmente eu sei que não devo senti-lo e nem fazer nada para ninguém por causa disso. Eu tenho o direito de sentir ódio, mas o meu limite termina onde começa o dos outros, então eu não tenho o direito de ferir ninguém por isso. Então eu choro. Eu aprendi a implodir. Na minha vida, primeiro eu aprendi a implodir, depois eu aprendi a explodir e agora eu reaprendi a implodir. É engraçado como mudamos constantemente. Enfim, eu faço o impossível para controlar isso, então eu fico tremendo.
Existem coisas que acontecem na nossa vida que marcam tanto que você passa a contar sua vida como antes daquilo e depois daquilo. Bem do tipo “a.c.” e “d.c.” mesmo, sabe? E quando essas coisas acontecem você consegue parar e analisar o mundo com outros olhos. É como se um avião caísse com as 3 pessoas que você mais ama no mundo e todas morressem. Você vai automaticamente envelhecer uns 10 anos ou mais, vai achar tudo ao seu redor altamente inútil, ver como as pessoas banalizam a vida, como as pessoas são fúteis, pequenas, mesquinhas, todo mundo vai parecer podre, tudo vai parecer tão insignificante que qualquer problema que as pessoas lhe contarem serão automaticamente diminuídos por você e você vai achar que as pessoas são idiotas por se prenderem a essas besteiras, perderem tempo demais para tomem atitudes... Tempo. O tempo é tão precioso, sabe? Eu tenho medo de morrer logo (olha, mais um medo meu). Eu tenho tanta coisa pra fazer na minha vida que nem sei. Eu amo viver. Mesmo com todos os problemas eu sou loucamente apaixonada pela minha vida. Enfim, já reparou que as pessoas que tem uma experiência de quasemorte voltam “renovadas”? É que elas aprendem a valorizar. Elas entendem que o tempo é precioso. Todo mundo deveria ser assim. Eu fui “obrigada” a criar minha vida em cima de uma linha do tempo, não é que eu seja tipo aquelas pessoas neuróticas que saem planejando cada detalhe da própria vida pela frente, até porque eu estou longe disso, mas é que eu sempre fui muito realista e soube desde cedo que nem tudo o que eu quero está ao meu alcance de imediato.  Acho que isso me fez envelhecer um pouco. Eu fui obrigada a aprender a ter paciência, sendo que eu sou uma pessoa naturalmente impaciente, por isso que digo que é como se eu fosse testada constantemente. Respirar fundo, contar até 2.385 e continuar esperando pra poder chegar lá. Porque é um passo de cada vez, é um dia de cada vez. Isso tá parecendo coisa de A.A., mas é verdade. Um dia de cada vez e quando você vê, você chega lá. O meu maior medo no meio da minha linha do tempo sempre foi me perder. Sair do caminho. Eu sei que existem vários caminhos, é claro, mas é que mesmo com todos os caminhos eu quero chegar aos lugares que eu planejei e todos esses testes de paciência são verdadeiros.. testes (não achei  palavra melhor) de persistência, determinação. Eu sou determinada. Não estou, sou. E eu aprendi a ter paciência por ser assim. Porque é preciso ter paciência pra poder chegar lá. Nem todo mundo chega lá... Às vezes eu acho que eu sou meio louca quando eu penso em todos os meus planos futuros, sabe, porque eles são meio incomuns, mas a verdade é que eu não sou louca, eu só sou determinada. A maioria das pessoas que eu conheço não teriam chegado nem aqui, quanto mais lá... Porque quando a gente quer muitooo uma coisa sempre aparece outros caminhos para outras coisas que, por sua vez, são sempre absurdamente fáceis. As pessoas se adaptam ao que os outros querem e não ao que elas próprias querem. Porque é mais fácil. Dá menos trabalho, sabe? Dá menos trabalho você estudar Direito do que fazer Música. Porque “música não dá futuro, meu filho”. Foda-se se é o teu sonho e se é isso o que você faz de melhor, se você nasceu pra isso. Foda-se. Não é um caminho fácil fazer Música, então vamos fazer Direito, porque dá menos trabalho, causa menos conflito (no fim das contas é só uma perda de tempo porque quando você tiver 40 anos você vai largar tudo pra ter sua bandinha, mas no fim das contas vai agradecer a Deus e vai achar que era pra você realmente ter feito direito, afinal “Deus quis assim”... Mas, a meu ver, você vai pensar assim por ter que acreditar que fez a escolha certa e não necessariamente a mais fácil, porque se você pensar diferente você se frustra, a verdade mesmo é que você nunca vai saber como seria se você tivesse feito o que você queria e não o que os outros queriam). Eu sou intensa demais pra passar pelo mundo vivendo só pela metade. Pra começar, o caminho nunca é fácil quando não te apoiam. Temos medo de decepcionar os outros (que não estão nem aí por nos decepcionarem, diga-se de passagem, porque sim, nos decepcionam, afinal, os laços afetivos costumam ser recíprocos e se você decepciona alguém esse alguém te decepciona pelo fato de a decepção dele ser por aquilo que você mais quer), porque eles são importantes (só tudo isso, importante). Eu queria que as pessoas não precisassem de um choque que dividisse a vida em duas partes para que elas conseguissem valorizá-la. Odeio sentir que isso é pedir demais dos seres humanos.
Às vezes eu consigo chorar e é bom. Acho que as lágrimas existem para não explodirmos, literalmente. Eu não choro, porque eu estou triste, eu choro de raiva. Eu fico triste, mas porque eu estou com raiva. Não é simplesmente uma tristeza que bateu, é raiva. Maldita raiva! “Perdoar é soltar a mão do pescoço da outra pessoa”... Eu não costumo guardar mágoas. E isso é verdade, não estou falando da boca para fora. Não guardo mágoa de amigos ou inimigos, eu perdoo mesmo, desculpo, tirando a culpa, literalmente, e sigo em frente... Sou do tipo que nem lembra mais por que brigou. Mas... (maldito advérbio de adversidade!) existem duas pessoas que ainda vão me dar muito trabalho. Eu consigo entender o modo que as pessoas pensam, entender os motivos que fazem elas serem como são e por pior que a pessoa seja eu sempre encontro fatores que levaram ela a ser assim. Só que o problema é que eu conseguir olhar o outro lado e elas só conseguirem se olhar no espelho é pior do que se eu só conseguisse me olhar no espelho. A raiva seria menor. E a frustração por ficar de braços atados e boca calada também.
Já aconteceu de você ter TANTA coisa pra falar e sentir tanta raiva de alguém que você não consegue falar nada? É tão estranho que quando eu me imagino falando tudo o que eu tenho para falar, eu me vejo chorando. Explodindo de raiva. E depois... Eu me vejo aliviada. Depois de chorar, gritar e vomitar as palavras... Quanto maior a raiva maior o alívio.
Para aqueles que acham que eu sou uma jovem com raiva no coração... Olha, eu sou humana. Todo mundo tem raiva de alguma coisa por algum motivo. A diferença é que nem todo mundo fala sobre isso, porque sentir raiva é “feio e é errado”. Eu não acho saudável sentir raiva e graças a Deus no meu coração tem muito mais amor do que raiva. Mas é que quando minha raivinha se manifesta, assim como a de todos vocês, parece que ela toma conta da gente por aquele breve (às vezes longo) período de tempo, e nesse exato momento, ela está bastante presente e ativa... E assim como eu falo de amor, felicidade e paz, acho normal falar de raiva também. Afinal, somos humanos e ela é um sentimento comum a todos nós.

Ham... Eu tô aí, mas eu não tô nem aí.

Quando o que você tiver para falar não for melhor do que o silêncio, por favor, permaneça em silêncio.

Beijos, meus amores.

4 comentários:

Lídia disse...

É!

Infelizmente não nascem apenas bons sentimentos dentro de nós, mas podemos escolher quais deles vamos cultivar.

Espero q as coisas e os sentimentos se "resolvam" da melhor forma, e q essa raiva q vc sente te mova p um "lugar" melhor!

Boa sorte no trajeto!!!
Beijos

Chris disse...

Devido a bangunça em meu humilde lar não consegui passar do primeiro parágrafo.
Mas um primeiro parágrafo que externou um pedaço de mim.
Assumo que estou com 'medinho' de me ver revelada em mais algumas palavras... quando tudo se acalmar leio mais. :) Beijos

Juliana Castejon disse...

Às vezes eu não me controlo e meus sentimentos sam desproporcionais aos fatos geradores. Eu faço Direito e não sei quant vou agradecer a Deus por ter conseguido terminar, estou em dúvidas se o que eu escrevo seja útil ou só mais uma bobagem enchendo o seu dia. Mas o fato é que ler isso borbulhou um milhão de coisas dentro de mim.
Fiquei feliz em conhecer seu blog.

Izabella Bastos disse...

"Pra começar, o caminho nunca é fácil quando não te apoiam. Temos medo de decepcionar os outros (que não estão nem aí por nos decepcionarem, diga-se de passagem, porque sim, nos decepcionam, afinal, os laços afetivos costumam ser recíprocos e se você decepciona alguém esse alguém te decepciona pelo fato de a decepção dele ser por aquilo que você mais quer), porque eles são importantes (só tudo isso, importante)."

Disseste tudo.

"Não guardo mágoa de amigos ou inimigos, eu perdoo mesmo, desculpo, tirando a culpa, literalmente, e sigo em frente..."

Isso faz de ti quase uma santa...queria ser igual a ti MAS infelizmente quando pessoas persistem em erros, não consigo ter a dádiva de perdoar e esquecer.

Eu te amoooo!

p.s:. Só terás trabalho se quiseres...às vezes o melhor é aceitar as circunstâncias e seguir em frente.