segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Um tempo desses eu estava no supermercado e enquanto a mulher do caixa passava as compras eu fiquei correndo os olhos pelas revistas que ficam naquela prateleira colada ao caixa. No meio das revistas tinha um livro em promoção, por R$29,90, se não me engano, com o título "A Costureira" de Frances de Pontes Peebles. Peguei os livros nas mãos e fui ler a sinopse que continha o seguinte:

“Emília não conseguia imaginar vidas inteiras sendo determinadas por coisas tão grosseiras e vulneráveis como corpos, ou coisas tão impalpáveis como almas. Não podia se convencer de que o seu destino já estivesse traçado desde o começo. Estava acostumada a escolher. Como toda costureira. Até o mais grosseiro e sem graça dos morins podia ser tingido, cortado e costurado para se criar um vestido elegante, desde que se fizessem as escolhas certas. Opções também podiam transformar a mais linda das sedas numa catástrofe. Como as pessoas, cada tecido tem as suas próprias vantagens e limitações. Impossível mudar o caráter de um tecido. Ele pode ser cortado, rasgado, cosido para se transformar em vestidos, calças ou toalhas de mesa, mas, seja qual for o feitio que assuma, o pano continuará sempre o mesmo. A sua verdadeira natureza não se altera. Qualquer boa costureira sabe disso.” 

Eu nunca tinha ouvido falar neste livro e até mesmo na escritora. Comprei o livro na mesma hora... Talvez por concordar com o pensamento, talvez pela minha paixão por livros que em alguns casos me torna compulsiva, talvez pela forma de escrever da autora... Eu ainda não acabei de ler o livro, mas estou amando. É um livro rico. É, acho que é essa a palavra... Rico em detalhes, em pensamentos que nos fazem refletir, enfim, acho que me identifiquei com o modo de pensar de Emília só de ler esse trechinho que vem estampado na capa. Talvez eu também seja inconformada com essas coisas, com o superficial. Eu e essa minha mania de profundidade, intensidade, de enxergar além das aparências... Às vezes sinto orgulho de mim por isso, porque eu vejo isso como o modo certo de se ver. Mas no meio do caminho eu encontro tantas pedras, tantas pessoas pensando o contrário que às vezes eu paro e fico horas e horas pensando se o certo não seria se preocupar com as aparências e pronto. O chato das aparências é que aparência é só aparência e no fim das contas aparência não é nada. Odeio essas coisas superficiais. Ando tão confusa ultimamente... É, um dia de cada vez. Um dia de cada vez... Espero que essa confusão desapareça, que a tempestade passe e que no fim das contas, fique tudo bem. Mas acho que é o que todo mundo quer, né? Pena que alguém tem que ceder e que o caminho para que fique tudo bem quase nunca seja o mesmo para as pessoas.

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