domingo, 30 de janeiro de 2011

Vítimas de Acidente de Motor


Nesse exato momento eu estou assistindo o programa do Gugu. Ninguém merece, né? Acho muito chato, mas quando se está em “prisão domiciliar” e nem mesmo se tem TV a cabo a gente fica meio sem opções em relação ao que fazer. Bem, o fato é que está passando uma reportagem excelente.


Pra quem não sabe, moro em Belém do Pará, região norte do país e aqui na nossa região existem vários rios, braços de rios, enfim, Amazônia, né, gente... Na verdade todo mundo sabe até porque quem não conhece a região norte do país acaba pensando que eu moro no meio do mato mesmo.  Mas aqui também tem civilização, tá? Enfim, o fato é que hoje o programa do Gugu tá realizando um sonho para algumas mulheres daqui da Amazônia. Na verdade, é um sonho meu também. E acho que quando as pessoas tomam conhecimento da situação acaba sendo o sonho de todo mundo. Hoje o programa do Gugu entrega de presente a sede da ONG das mulheres vítimas de escalpelamento e entrega também a fábrica de perucas.

escalpelamento é o arrancamento brusco e acidental do escalpo humano, de diversas formas, inclusive por motores dos barcos.




É, eu sei que as imagens são fortes e incomodam. Agora imaginem só se fosse com vocês?

A ONG tem vários objetivos, dentre eles promover a autoestima das mulheres e meninas e trabalhar essa nova condição com elas, ajudá-las a ter um futuro, a sonhar, a superar, a ter um espaço no mercado de trabalho, oportunidade de qualificação e tudo mais. Porque vida e capacidade elas tem tanto quanto todos nós, mas tem um detalhezinho onde a gente sempre esbarra na nossa sociedade que é esse tal de preconceito que todo mundo finge que não tem, mas é bem mais fácil contar as pessoas que não tem preconceito do que as que tem. Esse monstro do preconceito feio aparece de várias formas e com várias caras, todo mundo sabe, porque todo mundo já sofreu preconceito de uma forma ou outra. Mas se eu for focar no preconceito eu escrevo um livro, então vamos ter foco aqui. Bem, muitas meninas desistem de ir ao colégio por conta das piadas (de pessoas ignorantes) que afetam muito a autoestima e machucam bastante. Como se já não bastasse o trauma físico e psicológico de perder os cabelos, de se olhar no espelho e não conseguir lidar com isso, ainda tem toda essa galera super ignorante que não ajuda em absolutamente nada, ao contrário, só atrapalha. 

O acidente de motor é um problema muito recorrente na Amazônia brasileira, despertando até a atuação do poder público e de ONGs, que estão com projetos para desenvolver uma proteção barata ou gratuita para os barcos a motor, a fim de evitar a repetição de acidentes desse tipo.

O acidente ocorre quando as vítimas, ao se aproximarem do motor por acaso, tem seus cabelos repentinamente puxados pelo eixo. A forte rotação ininterrupta do motor ao enrolar os cabelos em torno do eixo, arranca inexoravelmente todo ou parte do escalpo da vítima, inclusive orelhas, sobrancelhas e por vezes uma enorme parte da pele do rosto e pescoço, levando a deformações graves e até a morte.

No dia 14 de Janeiro de 2010, o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a lei 12199/2010 que institui o dia 28 de agosto sendo o Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento.

O nome da ONG é ORVAM (ONG dos Ribeirinhos Vítimas de Acidente de Motor).

O telefone para contato é: (91) 9117-0490

UM APELO:

Você que é cabeludo e tá afim de doar parte de suas madeixas para fazer nossas mulheres felizes e melhorar a autoestima delas, entre em contato e doe o seu cabelo para a confecção de perucas e ajude a realizar o nosso sonho! Porque basta ser humano para saber o que significa se olhar no espelho.
:D

Beijos

8 comentários:

Dom Rafa disse...

Eu nunca nem imaginei uma coisa dessas. Tanto que, inicialmente, pensei que ia ler algo sobre gente sem perna. Já ouvi falar em cabelo enrolando em motor de KART, causando morte certa, imaginei que ocorresse o mesmo com barcos. Pelo seu post, parece que a coisa é mais comum do que parece... Perturbador!!

Sara disse...

Eu moro em macapá... por aqui ainda existem muitas vítimas de escalpelamento. Mas já existem alguns programas do governo que minimizaram esses acidentes distribuindo as caixas do motor.

Raíssa disse...

É, Sara, aqui também, mas infelizmente ainda acontecem casos desse tipo. =[

L.S. Alves disse...

Se eu souber de alguém a fim de encurtar o cabelo eu dou um toque.
Um abraço moça e obrigado por divulgar esse problema.

Lu Vieira disse...

Puxa, Raíssa, um problema que eu desconhecia. Obrigada por me informar aqui, já que eu quase não vejo TV. Fiquei chocada, mas não pela aparência física das pessoas que sofreram um escalpelamento. Mas por saber que é uma ocorrência muito comum na sua região. Tentei imaginar a dor das vítimas no momento do escalpelamento. No entanto, creio que a pior dor é o preconceito, ou seja, o que vem depois do escalpelamento.

Quando eu deixar o meu cabelo bem comprido e depois cortar, vou me lembrar de doar.

Parabéns pela sua iniciativa de expor a situação aqui! Beijos!

Priscilla Teles. disse...

ai que horror! to chocada!ja tinha ouvido falar de problemas assim por aqui, mas nao sabia que era tão constante ao ponto de ter uma ong e tudo. e imagina a auto estima como fica,que situação!
onde doe o cabelo pra fazer peruca?
beijo Rah :*

Raíssa disse...

Acho que é lá na ONG mesmo, Prih. Fica lá na Av. João Paulo II, mas não sei exatamente qual é o perímetro. Mas é só ligar pra esse número aí que eles informam e tals. :)
Beijos

Flávia Lima disse...

É Dom Rapha, aqui é bem comum sim (acho que o processo que você falou - do kart - é o mesmo, a diferença está na prevenção. Pra sentar num kart, tem toda uma preparação: você assiste a um vídeo, coloca vários acessórios (capacete, um trequinho que esqueci o nome mas parece uma meia que tu colocas na cabeça), enfim. Mas pra entrar num barco não tem nada disso. Principalmente um ribeirinho, que não tem tanto acesso à informação como nós temos. Raíssa, amei teu post! Levamos a Coordenadora da ORVAM no Sem Censura Pará. Foi show.
Beijinhos escarlates!