sábado, 6 de fevereiro de 2016

Fim

Sabe, custou muito, mas aprendi que o amor não é desculpa para duas pessoas ficarem juntas. Ele pode até ser a consequência. Mas o motivo, a causa, é a vontade. Só a vontade. Nada além dela me faria ficar aqui, apesar do que insiste em pesar. Mas até ela passou. Assim como todos aqueles nossos momentos felizes que ficaram para trás. Que foram soterrados por tantos desencontros, desentendimentos, desamores que sentimos um pelo outro.

Quando duas pessoas escolhem ficar juntas, elas assinam um pacto secreto de que são responsáveis por tudo aquilo que der certo, mas, sobretudo, por tudo aquilo que faz doer. Assumo, assim, que tenho 50% da culpa por não termos dado certo. O resto, coloca junto com aquela nossa foto que fica na tela inicial do celular, as alianças, os sonhos e leva embora. Faz uma fogueira enorme e usa isso para se aquecer. Meus braços já não podem mais te envolver. Te proteger.

O amor acaba. Nossa. Que triste constatação. Até hoje achei que isso era apenas coisa de paixão, mas seria tolo, seria infantil se negasse pra mim, pra você e para Deus e para todo mundo que te amei. Com cada arrepio do meu corpo. Com cada suspiro de prazer. Com cada gota de suor que sai do meu corpo em contato com o teu. Mas é a lei da física que Newton talvez tenha preferido esconder - o amor acaba.

Ou melhor, ele não só acaba. Ele leva com ele tudo aquilo que a gente jurou ter sido feito para suportar as tempestades. Os furacões. Os terremotos. Afinal, ninguém constrói uma casa esperando que ela venha ao chão. Ninguém escolhe estar com alguém pensando num prazo de validade. Num adeus sem até logo. Num sonoro, doloroso, mas necessário - segue teu rumo, vou seguir o meu.

É isso. Já não me resta mais nada a dizer. Acho que cabe ainda um último agradecimento por todas as vezes que você foi capaz de me dar asas. Que me fez voar, ainda que sem tirar os pés do chão, mas eu já não tinha mais asas. Não tem problema. Eu flutuo. É isso que um coração tranquilo faz. Ou melhor, é. Leve! Saio dessa relação com a consciência tranquila de que fiz  que pude. Dei o meu melhor.  O resto são as histórias que vamos contar por aí.

(Eu poderia ter escrito isso, mas foi o Math. @neologismos)


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