Hoje o “tema” da minha terapia foi relacionamentos. Concluí que não sei bem o que é um relacionamento “leve”, porque aprendi a ter que lutar por cada relacionamento de uma forma muito além do que é “normal”. Não bastava eu amar meu par, eu tinha que provar isso pra todo mundo, e isso não é leve.
O dia de hoje representa muita coisa. Representa a conquista de espaço e a grande necessidade de compreensão, empatia, amor, igualdade e equidade. A vida de muita gente ainda não é leve. É muito, muito pesada, pelo peso de existir, de ser quem é. De amar “diferente”. De fugir do padrão, da norma. A gente vem desconstruindo há muito tempo pro mundo entender que existimos e que não somos nada demais, ao contrário, somos iguais. Nossa vida tem altos e baixos, estresses, dias bons e dias ruins, nossos relacionamentos tem ciúmes, às vezes são abusivos, às vezes são incríveis, como qualquer outro. Muitas vezes a gente só deita na cama e dorme mesmo, como todo mundo. A gente divide os problemas, a rotina, a vida. A gente também cai na rotina, fica entediado, e faz parte.
O tempo que levou para conseguirmos o reconhecimento de direitos básicos é vergonhoso. O tempo que demorou e ainda demora para sermos aceitos nas reuniões de família, idem. Não somos novidade. Existimos desde que o mundo é mundo. E o preconceito também. O desconhecimento, a ignorância. Depois que a gente se vê de pertinho entende que não tem nada demais. Nós somos filhxs. Pais. Mães. Irmãos e irmãs. Primxs. Sobrinhxs. Netxs. Nós existimos em absolutamente todas as famílias, mesmo quando elas não querem nos enxergar e já passou da hora de nos enxergarem e nos amarem como somos, assim como amamos todos vocês. Porque amamos muito e sofremos em busca de acolhimento e amor.
É importante lembrar que ainda hoje, pelo menos 69 países criminalizam relacionamentos consensuais entre pessoas do mesmo sexo.
E pra quem não sabe, no dia de hoje, 17 de maio, é celebrado o Dia Internacional contra a homofobia, porque remete à data em que a Organização Mundial da Saúde retirou a homossexualidade da classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados à saúde, em 1990.
Eu nasci em 90. Já tem 31 anos isso, e ainda hoje tem gente sofrendo profundamente e morrendo cruelmente pelo simples fato de existir e ser quem é.
Então esse texto não é um desabafo, é um convite pra uma reflexão sobre o assunto. Será que já não passou da hora de você buscar compreender e respeitar as diferenças?
Ah, hoje, eu vivo numa família que tem amor de sobra. ❤️ Mas eu conheço a dor dos que não vivem isso, por isso nunca vou deixar de falar sobre o assunto.
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